sexta-feira, 26 de junho de 2009

I FORUM DA MULHER CONTABILISTA

Confira AQUI a programação

Faça sua inscrição pelo site www.crcba.org.br

ou pelo telefone (77) 3424-0493

Fórum de Modernização da Gestão Contábil

O I Fórum de Modernização da Gestão Contábil será um espaço de discussão, debate e aprendizado. Em sua 1ª Edição, o evento visa envolver servidores e gestores do setor público e privado, em todas as esferas (Federal, Estadual e Municipal), além de contadores, administradores, professores e estudantes da área de Contabilidade e áreas afins.

Esse será um momento de reflexão e debate sobre a modernização da gestão contábil e suas convergências, conforme as Normas Internacionais, tanto na área pública quanto na área privada, focalizando, sempre, a qualificação na formação profissional.
  • Data: 19 a 22 de agosto de 2009
  • Local: Centro de Cultura, Vitória da Conquista, Bahia
  • Site do evento: http://www.fmgc.com.br/

Regra contábil tem reduzida adesão no Novo Mercado

Estudo realizado por uma grande empresa de auditoria no Brasil mostra que, das 100 companhias que fazem parte do Novo Mercado, o nível mais alto de governança corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apenas 8 anunciaram seu resultado financeiro dentro da nova norma contábil, ou seja, ainda é necessário que 92 empresas apresentem resultados em International Financial Reporting Standards (IFRS).

Este assunto preocupa os especialistas, já que a adequação à norma será obrigatória a partir de 2010. Outra preocupação é em relação à difícil implementação. "Temos clientes que ainda não conseguiram concluir seus resultados em IFRS porque ainda apresentam dúvidas", afirma o executivo da empresa, que não quis revelar seu nome.

Mas o especialista afirma que nem todas as companhias terão grandes dificuldades, pois as que têm ações negociadas na Bolsa de Nova York (Nyse) já fazem uma divulgação parecida, nos padrões chamados US GAAP. "Para estas empresas a mudança é mais simples", explica o executivo.

Através de sua assessoria de imprensa, a BM&F Bovespa explica que "exige nas regras dos segmentos diferenciados de governança [Nível 2 e Novo Mercado] que as companhias apresentem demonstrações financeiras em padrão internacional, que pode ser US GAAP [padrão americano] ou IFRS [padrão internacional]. Em 2007, foi editada Instrução da CVM que define que as companhias abertas apresentem suas demonstrações contábeis consolidadas em IFRS a partir do exercício de 2010", explica a nota.

O comunicado diz ainda que "cerca de 25 empresas do Novo Mercado apresentaram demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2008 de acordo com os IFRS". Portanto, restam cerca de 75 empresas a realizar a mudança para IFRS.

[...]

Fonte: DCI, CFC

Abstrato

Já passava da meia-noite e nenhuma estrela no céu. Parecia que elas não se deixavam ver. Ou talvez seus olhos não conseguissem vê-las. Céu sem estrelas. Havia só uma pequena luz de uma lanterna, uma caneta com pouca tinta, um papel em branco no qual disputavam espaço um desenho louco e uns rabiscos. Mas havia espaço para escrever. Só não havia ideia. Ou coragem. Nem estrelas.
E havia lembranças. Estas sempre existem. Dava para sentir o cheiro de poeira vindo do sótão dos pensamentos... Poderia até ser de um porão, mas estas lembranças estavam no sótão. Era possível escutar cada uma delas contando uma história...Algumas tristes, outras alegres, outras indecisas. Mas todas lembranças. Haveria algum dispositivo para deletá-las?
Ela achava que não. Mas também não fazia questão de colocá-las no papel. Por isso, desenhava pensamentos soltos como uma pintura surreal. Não sabia que mesmo as pinturas mais loucas têm os sentidos mais concretos. E o abstrato é tão concreto...Pintava os próprios sentimentos e as cores eram tão claras...Queria mesmo era desenhar estrelas no céu. Mas já amanhecia. O papel, com algumas cores claras, ainda estava escuro. Havia um pouco de poeira também. E pouca tinta. Continuava sem ideia. Sem estrelas. E ainda havia espaço para escrever.

Daniela Duarte, in
http://diversosinversos.blogspot.com/

Imagem: "A desintegração da persistência da memória", Salvador Dalí

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Controle suas finanças

O Excel e o seu dinheiro
Aprenda a montar uma planilha para controle financeiro de ganhos e gastos e faça ajustes orçamentários
Jaca Fonte


O Excel pode ser um ótimo aliado na hora de organizar suas finanças. O programa é cheio de alternativas para debulhar números e permitir que você visualize com clareza quanto ganha e quais são os seus principais gastos. Não é preciso ser um especialista para tirar proveito do aplicativo. Ele pode fazer parte da vida de qualquer pessoa. Nas próximas páginas você vai aprender passo a passo como montar uma planilha financeira personalizada ou, se preferir, baixar um modelo padrão.

MESES

A primeira coisa que você deve fazer é criar um arquivo no Excel. Dê um título como Controle Financeiro. Se for necessário ajustar o título, selecione o intervalo de células que vai de A1 (onde o título foi inserido) até M1 e dê o comando Início > Mesclar Celular. A seguir, uma ou duas linhas abaixo a partir da coluna à esquerda da qual o título está posicionado, insira os meses do ano. Para tornar o processo mais fácil, use o recurso de autopreenchimento do Excel. Digite Jan ou Janeiro na primeira célula, selecione-a, posicione o cursor em sua alça de preenchimento e arraste-a até que todas as células sejam preenchidas com todos os meses do ano.

TODOS OS GANHOS

Na linha abaixo, na coluna mais à esquerda, digite Receitas. Abaixo dela, liste as fontes de ganhos. Você pode incluir salário, receita de aluguel, pensão. Reserve a última linha para o item Total de Receitas.

LISTA DAS DESPESAS

Na linha abaixo, escreva Despesas e, abaixo dela, comece a descrever os gastos por setores: moradia, alimentação, saúde, transporte, educação, lazer, vestuário e cuidados pessoais, animais e obrigações financeiras. Inclua também a categoria Outras para registrar despesas adicionais. Abaixo de cada uma delas, enumere os tipos de gasto. Com moradia, por exemplo, você pode listar aluguel, condomínio, água e outras despesas. Coloque também um Total para a subcategoria.

FAÇA AS CONTAS

Com todas as categorias e subcategorias das despesas e receitas enumeradas, é hora de definir os totais parciais. Comece pelas receitas. Clique na célula referente ao total de receitas do primeiro mês da planilha, abra a guia Fórmulas e clique no botão AutoSoma para que o Excel insira a função =SOMA, seguida de um parêntese. Selecione, então, as células com informações das receitas e tecle Enter para incluir a informação na fórmula. Uma alternativa é usar o recurso de autopreenchimento de fórmulas do Excel 2007. Digite = (sinal de igual) na célula, selecione com um duplo clique a função desejada no menu que aparecerá logo abaixo e selecione o intervalo das células em seguida.

TOTAL DOS GASTOS

O próximo passo é calcular a despesa total. No fim da lista de despesas, deixe uma linha em branco e repita a sequência de meses para facilitar a visualização das informações. Na primeira coluna da linha de baixo, escreva Total de Despesas. Na célula ao lado, logo abaixo do mês de janeiro, escreva a fórmula =SOMA e as referências de cada célula que contém os totais das subcategorias de despesas. Para não correr o risco de errar na digitação, use o autopreenchimento de fórmulas e selecione as células necessárias, clicando nelas enquanto mantém a tecla Ctrl pressionada. Quando concluir a seleção, tecle Enter. Copie a fórmula para os demais meses, como indicado anteriormente.

RESULTADO FINAL

É preciso acrescentar um cálculo final para saber como foi o resultado de cada mês — ou seja, se sobrou ou se faltou dinheiro. Logo abaixo da linha Total de Despesas, escreva Total de Receitas, para tornar mais clara a visualização dos dados. Para fazer isso, digite o sinal = (igual), seguido do endereço da primeira célula com o total de ganhos situado no alto da tabela (é a célula referente ao mês de janeiro). Com isso, você está pedindo para o Excel repetir o valor expresso naquela célula. Copie essa célula para os demais meses do ano. Na linha de baixo, escreva Resultado. Na primeira célula à direita, referente a janeiro, escreva o símbolo = (igual), seguido da referência da célula em que está o total de receitas, o símbolo – (menos) e a célula em que está o total de despesas. Tecle Enter. Copie a fórmula para os demais meses.

GASTOS EXTRAS

Por meio da formatação condicional é possível aplicar estilos de formatação a células de planilhas variáveis de acordo com seu conteú do. Imagine que você tenha uma meta orçamentária para o ano, que é não ultrapassar um gasto mensal de 1 000 reais. Se você aplicar a formatação condicional poderá definir que os valores que ultrapassarem esse teto sejam exibidos em vermelho e aqueles em que você ficou dentro da meta apareçam em verde. Selecione as células que vão conter os valores de resultado, abra a guia Início e clique na opção Formatação Condicional. No menu, selecione Realçar Regras de Células e, em seguida, É Menor Do Que. O primeiro campo deve conter o valor 0,00 e, no segundo, abra a lista, selecione a opção Texto Vermelho e clique em OK. Em seguida, com as mesmas células selecionadas, clique novamente em Formatação Condicional, escolha mais uma vez Realçar Regras de Células e, desta vez, a opção É Maior Do Que. Novamente, o primeiro campo deve ter o valor 0,00. Como no segundo não existe a opção predefi- nida para formatação com texto em azul, selecione Formato Personalizado para abrir a caixa de diálogo Formatar Células. Abra a guia Fonte e clique no menu Cor para abrir a galeria e selecionar o tom de azul de sua preferência. Clique em OK duas vezes para concluir.


Baixe AQUI a planilha do orçamento doméstico e tire sua conta do vermelho


Fonte: Dicas InfoExame

WebCast: 3º Fórum Nacional SPED & NF-e

Assista alguns vídeos com entrevistas realizadas durante o 3º Fórum Nacional SPED & NF-e.

CLIQUE AQUI

Desafios da era da fiscalização digital

por Xavier Sabadell e Luis Reis
Valor Econômico, 23/06/2009

Nos últimos doze meses tivemos a oportunidade de discutir com mais de 200 empresas, multinacionais, nacionais e dos mais variados segmentos de negócios, os caminhos percorridos para atender aos requisitos exigidos pelo Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), composto pela nota fiscal eletrônica, pela escrituração fiscal digital e pela escrituração contábil digital. Nessa experiência muito rica, do ponto de vista de aprendizado das preocupações das organizações sobre o tema, pudemos depreender, em primeira instância, que o mercado, de forma geral, estava bastante confuso em relação à profundidade das mudanças e impactos em seus negócios que o novo marco regulatório do Sped trará. Em linhas gerais, de cada três empresas contatadas, duas entendiam tratar-se de um tema puramente ligado à tecnologia da informação, e que a simples implementação de algum módulo sistêmico resolveria a questão.

Independentemente desse entendimento preliminar, observamos que as empresas encararam esse desafio, e muito foi feito para garantir a implementação dos requisitos técnicos demandados pelo Sped dentro dos prazos definidos no cronograma do fisco. Na dimensão de tecnologia da informação, na qual se verificaram os maiores esforços, foram implementados novos sistemas fiscais, customizados novos campos e criadas novas interfaces, entre outras realizações ligadas à infraestrutura tecnológica. Em relação à dimensão de processos e, em especial, cadastro de fornecedores, produtos e clientes, as mudanças foram menos abrangentes e focadas no direto atendimento aos novos campos e layouts de informação fiscal e contábil requeridos pelo fisco.

Entre as muitas novidades, incertezas e várias interpretações sobre o tema, os anos de 2008 e princípio de 2009 se destacaram, principalmente, pelo amadurecimento do mercado em relação ao Sped e pela mobilização efetiva para sua solução. Ou seja, cerca de dois terços das empresas obrigadas a atender ao Sped, nesse primeiro ciclo, fizeram, de alguma forma, seu dever de casa, superando esse primeiro desafio. Por outro lado, restam ainda cerca de 30% de empresas para se adequar.

Esse primeiro ciclo de adaptação ao Sped se consolidará no mês de setembro, quando serão transmitidos pela primeira vez os arquivos do Sped fiscal referentes aos meses de janeiro a agosto deste ano. A prorrogação do prazo de entrega do Sped fiscal para setembro de 2009 comprova que, de fato, as empresas estão enfrentando dificuldades em se adequar a essa nova realidade. De qualquer forma, a partir de setembro de 2009, quando o Sped fiscal estiver em vigor, muitas informações jamais divulgadas sobre as operações das empresas estarão ao alcance do ponto de vista analítico do fisco.

É interessante notar que, após um ano de muito trabalho e aprendizado, começam a aflorar pensamentos e reflexões sobre os desafios que ainda estão por vir pós-implementação do Sped. De fato, a introdução do novo padrão no mundo corporativo representará uma mudança radical no paradigma da fiscalização e transformará o relacionamento do fisco com as organizações. Doravante, vamos viver um modelo muito mais eficaz, com acesso a um volume muitas vezes maior de dados operacionais e fiscais, on-line e de forma permanente, permitindo múltiplos cruzamentos de informação para verificar a adequação dos procedimentos fiscais, contábeis e de recolhimento de impostos. Assim, esse novo modelo de fiscalização, viabilizado pela introdução do Sped, trará às organizações um nível de exposição muito maior que o atual, principalmente em um cenário, já comprovado, de queda de arrecadação tributária em consequência da crise econômica mundial, também já refletida no Brasil com a queda da atividade econômica.

A qualidade da informação transacional passará a ser o principal risco a ser mitigado. As empresas, para assegurar a qualidade dos dados que serão enviados ao fisco, necessariamente deverão visitar sua operação e realizar mudanças significativas em sua cultura, sistemas, estrutura organizacional, processos e procedimentos e capacitação de seus profissionais. Assim, poderão reduzir sua exposição fiscal e, consequentemente, eliminar eventuais perdas financeiras advindas de autuações aplicadas pelo fisco ou da adoção de procedimentos tributários e contábeis inadequados. Além de provocar a necessidade de mudanças em toda a cadeia de valor das empresas e nos processos de apuração fiscal, as organizações deverão também atentar para a correta integração com a cadeia de valor de seus principais clientes e fornecedores, no sentido de assegurar o "compliance fiscal" desde a origem da informação, principalmente em razão da nota fiscal eletrônica.

Fica claro que esse novo padrão da fiscalização digital demandará mudanças mais profundas e complexas para endereçar os antigos problemas estruturais existentes na gestão tributária das empresas, que até o momento nunca haviam sido tratadas na origem de suas causas. Na verdade, essa reflexão nos leva, firmemente, a compreender o Sped como uma grande oportunidade para o desenvolvimento de novos modelos de gestão tributários sustentáveis e que possam tornar a área tributária das empresas em um centro de resultados, e não mais em um mero centro de despesas. Afinal, gerir corretamente a elevada carga tributária de uma companhia é um investimento que faz todo o sentido do ponto de vista competitivo.
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Xavier Sabadell e Luis Reis são sócios da PricewaterhouseCoopers Brasil e, respectivamente, especialistas em gestão de processos e na área tributária

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações


Fonte: Valor Econômico, via FENACON PressClipping

Mais um remendo no FAS 157

O Financial Accounting Standards Board (FASB) está propondo uma outra, de uma série já regular de alterações e esclarecimentos para seu pronunciamento "FAS 157, Fair Value Measurements".

Confira a matéria em :
"Another Fair Value Rule Tweak Is in the Works"

terça-feira, 23 de junho de 2009

IASB

Das doações recebidas pelo Iasb para financiar suas atividades - e está é a principal fonte de recursos desta entidade responsável pelas normas internacionais - 4229 mil libras esterlinas foram provenientes das empresas de contabilidade internacional, leia-se Big Four.

Isto significa dizer que um terço - é isto mesmo, 1/3 - dos recursos necessários para colocar a máquina de fazer normas contábeis para grande parte das economias mundiais tiveram sua origem em empresas com interesse especial nas normas.

Este fato compromete a independência e isenção do Iasb? Provavelmente sim. Observe que o Fasb possui fonte de recursos que garantem uma maior independência. O modelo de financiamento do Fasb já foi proposto diversas vezes para o Iasb.

Anteriormente comentamos aqui no blog que enquanto o Fasb possui os direitos autorais sobre os pronunciamentos, o mesmo não ocorre com o Iasb.

Outro aspecto curioso e não menos importante. A empresa de auditoria que assinou o balanço do Iasb é a BDO. O parecer foi limpo, por sinal. Mas esta mesma empresa está entre os doadores do Iasb. Isto faz sentido?

Veja as demonstrações
aqui.

Fonte:
Contabilidade Financeira

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Links

Padrão contábil pode ser armadilha

DCI - SP, 22/06/2009

A padronização das normas contábeis, missão abraçada com afinco pelo International Accounting Standards Board (IASB), é fator considerável para consolidar o que hoje chamamos de economia global. Ninguém duvida, por exemplo, de que demonstrações contábeis em linguagem harmonizada tragam mais segurança para os diversos atores do comércio mundial. Mas isso não significa que a uniformização de modelos e conceitos seja isenta de problemas.

Primeiramente, a criação desse sistema único pressupõe um desenvolvimento econômico atrelado a sistemas fiscais iguais e constantes em todos os países do mundo.

Não fosse assim, por que teria demorado tanto a Europa a adotar moeda e banco central únicos, deixando de fora as nações do Leste Europeu, até que elas dispusessem de economias com aceitável estabilidade, inflação sob controle e baixo déficit público?

Essa questão traz à tona algo que poucos até aqui enxergaram, à exceção de mestres, como Antonio Lopes de Sá, uma das raras vozes contrárias à padronização contábil nos moldes hoje propostos.

Críticos na mesma linha se baseiam no fato de que, enquanto países tiverem diferentes regimes econômicos e diversos graus de desenvolvimento, torna-se impraticável a utilização de um padrão contábil de âmbito mundial, sob pena de haver efeitos danosos para os países mais pobres.

Sabe-se ainda que a introdução de padrões internacionais de contabilidade atende basicamente às necessidades de órgãos como o FMI, o Banco Mundial, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que são dirigidos pelos países ricos, os quais têm grande interesse na mudança contábil em escala mundial - a saber: Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido e Japão, que totalizam quase a metade do PIB do planeta.

Diante desse desequilíbrio de forças, as regras internacionais sempre refletiram o grau de desenvolvimento econômico e a influência dos grandes países sobre os demais, restando aos menores que desejarem fazer parte da economia globalizada e ter acesso às grandes entidades financeiras, apenas e tão-somente a opção de aderir. O mesmo ocorre com as empresas que necessitam de capital externo e devem, para tal, apresentar demonstrações contábeis padronizadas.

Mas tudo isso não invalida a existência de um sistema contábil individual e específico para cada país, até porque em grande número de nações os sistemas contábeis e fiscais são semelhantes, senão idênticos, o que faz da falta de harmonia das normas contábeis um desafio a ser superado com muito cuidado para evitar danos irreparáveis, principalmente para nós, que estamos na parte mais pobre do mundo.

O que dizer sobre padronização e como entender sua complexidade sem antes compreender por que uma mesma demonstração contábil pode divulgar dois ou até três resultados diferentes, dependendo da norma contábil aplicada em sua elaboração?

Certamente isso diminui em muito a qualidade da informação contábil, e tem como origem a influência de leis governamentais e a interferência de grupos de interesses diversos.

Existem variáveis neste campo que até agora não foram levadas em consideração, nem sequer mencionadas, com destaque para insegurança jurídica, instabilidade econômica, desigualdade social, alta carga tributária, juros extorsivos, escassez de crédito, déficit previdenciário e dívida mobiliária, boa parte desta última, representada por títulos emitidos pela União, no caso do Brasil.

Por tudo isso, o atual modelo de implantação das normas contábeis impõe um caminho muito perigoso para os países pobres e emergentes, inclusive o nosso.

Chega até mesmo a lembrar o caso daquele médico de pronto-socorro, que, não conseguindo encontrar a cura para determinada doença, manda o paciente para casa com uma receita de analgésico embaixo do braço: o remédio tira a dor momentânea, é fato, mas em hipótese alguma resolve definitivamente o problema.

Fonte: via
Blog Alessandro P Alves

Valor Justo x Testes de Auditoria (EUA)

Relatório do PCAOB aponta falhas em relatório de empresa de auditoria dos EUA no que diz respeito, por exemplo, ao não recolhimento de material de apoio suficiente para obter um entendimento de como o administrador da empresa auditada aferiu o justo valor dos ativos não cotados no mercado quando os preços estavam disponíveis, e descobriu também que a auditoria não tinha informações "suficientes" sobre os planos de pensão de três clientes para apoiar os respectivos pareceres.

Fonte: CFO.com, veja a íntegra da matéria "KPMG Should Be Tougher on Testing, PCAOB Finds" clicando AQUI

Nota: Os relatórios de Inspeção do PCAOB podem ser acessados AQUI



sexta-feira, 19 de junho de 2009

Charges: Imperdíveis

Anote este Blog em seus Favoritos: BLOG DO GUTO CASSIANO

TOP Post

Este Blog está no ar há 30 meses. Neste período muitos assuntos relacionados à área contábil, tributária e financeira mereceram destaque. Confira os destaques de cada um destes e dos demais temas selecionando-os na coluna à esquerda, menu "labels".

Adaptação a regras é lenta e provocará dúvida em balanços

Jornal DCI, 16.06.2009 - Eduardo Puccioni (via CFC)

Preocupadas em dar suporte às empresas brasileiras na mudança contábil aos padrões internacionais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em conjunto com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), publicou na semana passada mais duas deliberações. Com isso, já foram emitidas 29 normas contábeis (18, em 2008), com 15 regras em processo de audiência pública (10 em aberto, e 5 encerradas) e 14 em elaboração ou apreciação.

Mesmo com todas as antecipações das entidades responsáveis, as companhias ainda não estão pondo em prática as novas normas; pelo menos é isso que foi visto na primeira divulgação dos resultados financeiros do ano.

"Ainda não deu para notar a diferença nas divulgações: a maior parte das companhias ainda não adotou as novas normas contábeis. Mesmo assim, não encontramos muitas reclamações das empresas", afirma Ariovaldo dos Santos, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

O objetivo do pronunciamento técnico CPC-16, um dos anunciados na semana passada, é mostrar como se deve determinar o valor de custo dos estoques e o seu reconhecimento no resultado, incluindo qualquer redução ao valor realizável líquido. O documento apresenta, ainda, método e critérios usados para atribuir custos aos estoques.

"Em relação ao estoque, não mudou muito em relação à regra brasileira como era antes. Também não são todas as empresas que têm de se adequar à novidade: as instituições financeiras, por exemplo, não têm estoque. A mudança não afeta todas as empresas", acrescenta Ariovaldo.

Já o Pronunciamento CPC-17 orienta sobre o tratamento contábil das receitas e despesas associadas a contratos de construção. Nesses contratos, normalmente de execução a longo prazo, a data de início e término do contrato ocorrem em períodos contábeis diferentes, tornando primordial o reconhecimento das receitas e despesas correspondentes ao longo da sua execução.

Por fim, foi divulgado o Pronunciamento CPC-20, que dá orientações para o tratamento contábil aplicável aos custos de empréstimos. O conteúdo deste pronunciamento técnico está integralmente fundamentado no IAS 23 - Custo de Empréstimos, e não modifica substancialmente o tratamento dado no Brasil aos custos de empréstimos, inclusive aquele previsto na, já existente, Deliberação CVM 193/96.

Essas normas contábeis, que fazem parte da Agenda Conjunta CVM e CPC, dão início ao processo de regulação de 2009 visando à convergência da contabilidade brasileira de companhias abertas aos padrões internacionais.

Quanto às empresas de diversos setores da economia brasileira, Ariovaldo explica que, de modo geral, "todas as companhias terão mudanças, nenhuma será prejudicada com elas".

O especialista alertou, porém, para as normas que virão para empresas do setor de energia elétrica. "Ainda estão estudando uma norma internacional que se refere às empresas de energia. Esta mudança não prejudica as companhias, mas traz uma dificuldade maior de elaboração", diz ele.

Segundo Ariovaldo, a principal mudança vem para as pessoas que trabalham com contabilidade. "Haverá uma mudança no comportamento de quem realiza e audita as regras contábeis, mas tudo será positivo no longo prazo", afirma ele.

Começam nesta semana e se estendem até a próxima semana os eventos organizados pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec SP) em parceria com a Ernst & Young, em que serão abordados temas referentes aos impactos da nova lei contábil e dos International Financial Reporting Standards (IFRS) em diversos setores, como: varejo, bens de consumo, energia, concessões públicas, telecomunicações, mercado imobiliário e impostos. Além da análise profunda de cada setor, as palestras trarão também um panorama dos pronunciamentos do CPC e do International Accounting Standards Board (IASB) que mais impactaram cada uma das esferas que serão discutidas.

As novas normas contábeis se tornarão obrigatórias para as empresas brasileiras de capital aberto a partir de 2010. As companhias terão de fazer comparativos com os resultados financeiros deste ano, o que justifica a preocupação das autoridades de que as empresas antecipem suas divulgações em IFRS.

Mercado externo
A indicação de Amaro Luiz de Oliveira Gomes, que assumirá como membro efetivo da junta diretiva para um mandato de cinco anos, nomeação feita pelo Comitê Internacional de Contabilidade (Iasc), deverá reforçar o desempenho do País na adoção das novas normas contábeis.

Para Maria Clara Cavalcante Bugarim, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), é um orgulho ter um brasileiro na junta diretiva do Iasb. "Essa conquista é fruto de seu desempenho profissional, e também destaco o excelente trabalho de convergência interna."

CFC e Banco Mundial discutem Projeto

Representantes do Banco Mundial (Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento - Bird) estiveram no Conselho Federal de Contabilidade (CFC), no dia 17 de junho, para participar de reunião com a presidente do CFC, Maria Clara Cavalcante Bugarim; com o vice-presidente de Desenvolvimento Operacional, Juarez Domingues Carneiro; com o vice-presidente de Desenvolvimento Profissional, José Martonio Alves Coelho; e com a coordenadora da elaboração das Normas Brasileiras aplicadas ao Setor Público, conselheira Verônica Cunha de Souto Maior.

A reunião teve por objetivo discutir o Projeto de Transferência de Conhecimentos Contábeis entre Países de Língua Portuguesa, desenvolvido pelo CFC em parceria com a Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas (CTOC) de Portugal, e a 3ª Conferência sobre Contabilidade e Responsabilidade para o Crescimento Econômico Regional (CReCER), que será realizada de 23 a 25 de setembro, em São Paulo.

Esse projeto foi apresentado ao Bird no dia 14 de abril, durante reunião realizada em Washington (EUA). Na ocasião, segundo o vice-presidente de Desenvolvimento Operacional do CFC, membros daquela instituição internacional manifestaram interesse pelo Projeto, principalmente porque o Banco Mundial pretende investir na regulação da contabilidade de países como Angola e Moçambique.

Na reunião que aconteceu no CFC, os representantes do Bird apresentaram um diagnóstico da área contábil desses países africanos e discutiram a forma como o CFC poderá auxiliar na implementação do trabalho, com base no Projeto de Transferência de Conhecimentos Contábeis entre Países de Língua Portuguesa.

CReCER pretende reunir mil participantes
O evento é promovido pelo Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Federação Internacional de Contadores (Ifac, na sigla em inglês). Contando com o apoio do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) na realização desta terceira edição da conferência, os organizadores esperam reunir cerca de mil participantes.

Principal economia da América Latina, o Brasil tem progredido significativamente nas áreas de Contabilidade e de Auditoria. Segundo as entidades organizadoras do evento, uma das mais notáveis melhorias verificadas no País é a decisão dos principais reguladores do setor financeiro de requererem a utilização das Normas Internacionais de Informação Financeira (IFRS) a partir de 2010. Banco Mundial, BID e Ifac também destacam os avanços ocorridos no setor público, uma vez que o Governo federal anunciou planos para adequar as suas práticas contábeis às Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público (IPSAS) até 2012. Tanto no Brasil como nos demais países da América Latina, os organizadores do CReCER pretendem estimular a cooperação internacional entre supervisores e reguladores financeiros e aumentar esforços para a adoção de normas internacionais. Ainda, ao fomentar a colaboração entre os formuladores de políticas públicas latino-americanos, as instituições internacionais esperam que o evento possa contribuir para, após a crise financeira iniciada em 2008, restaurar a confiança dos investidores, para a estabilidade financeira e para o crescimento econômico.


Fonte: Site CFC, Comunicação CFC

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Executivos financeiros veem fim da era dos lucros altos

Cerca de 70% dos executivos temem que uma reestruturação não for conduzida de forma eficaz, poderá prejudicar o processo de inovação

SÃO PAULO - A esmagadora maioria dos executivos de finanças e autoridades governamentais das Américas, especificamente 90% deles, considera que a era de lucros e margens de retorno alto ficaram no passado. É isso o que mostra o estudo “Em Direção à Transparência e Sustentabilidade: Construindo a Nova Ordem Financeira”, divulgado nesta terça-feira (17) pela IBM.

Conforme os dados, coletados pelo Institute for Business Value (IBV), da IBM, esses profissionais enxergam a importância de eliminar a complexidade e o excesso das atividades. No entanto, cerca de 70% desses executivos temem que se essa reestruturação não for conduzida de forma eficaz, poderá prejudicar o processo de inovação.

A análise contou com 2.754 participantes dos mercados de capitais, incluindo 1.076 investidores individuais e 1.678 executivos e autoridades do setor público, sendo 45 CEOs da América Latina, para determinar como as empresas do mercado financeiro devem se preparar para o futuro.

O estudo prevê uma consolidação significativa nos setores que operavam com capacidade excessiva, como atividade bancária de investimento, gerenciamento de ativos e de riquezas.

A análise aponta ainda três áreas específicas de especialização com chances de emergir diante da nova condição econômica:

Transacionadores Beta: agrupará a maioria das empresas financeiras que se concentrarão em serviços utilitários (comércio, gerenciamento de ativos etc);
Conselheiros: um número menor de organizações se concentrará em aconselhar empresas sobre temas como gerenciamento de riquezas, fusões e aquisições;
Buscadores Alfa: poucas empresas de capital privado, fundos de hedge e casas de investimento concentrarão sua geração de alto retorno a partir de investimentos de alto risco.
Segundo Rafael Dan Schur, gerente do Centro de Soluções para a Indústria Financeira da IBM na América Latina, essas três tendências estão acionando uma onda de reestruturação em uma escala jamais vista.

“A nova indústria não só deixará de ter alguns dos grandes nomes do passado, como também perderá muitas de suas antigas características, como assumir riscos excessivos, falta de transparência e obtenção de altíssimos retornos explorando nichos de mercado com baixa regulamentação", disse.

Fonte: FinancialWeb, 17/06/2009

Mudança contábil reduz lucros

O início da adoção da nova contabilidade brasileira, nos balanços anuais de 2008, trouxe impactos significativos, além de muito trabalho. Estudo da consultoria e auditoria Ernst & Young mostra que os lucros tiveram redução de 20% em relação ao que seriam se apurados pelas normas antigas.

O levantamento contemplou 40 companhias abertas, eleitas entre as 100 de maior valor de mercado na Bovespa. Foram consideradas na amostra as empresas que não são instituições financeiras ou seguradoras e que tenham apresentado conciliação detalhada para lucro e patrimônio no balanço anual do ano passado, comparando as regras novas e as antigas. A pesquisa englobou companhias representantes de dez diferentes setores da economia.

De acordo com o estudo, o lucro líquido somado dessas companhias foi de R$ 67 bilhões em 2008. Esse valor foi reduzido em R$ 16,5 bilhões pelas 17 novas regras contábeis emitidas do ano passado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em conjunto com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Pelas normas antigas, portanto, o lucro dessas companhias seria de R$ 83,5 bilhões.

As novas normas fazem parte do processo de convergência da contabilidade nacional ao padrão internacional, conhecido pela sigla IFRS. A Brasil foi colocado oficialmente na rota de harmonização das normas contábeis pela Lei 11.638.

"Esses ajustes são necessários para que as empresas passem a trabalhar com um padrão claro, transparente e mais acessível aos investidores, inclusive os estrangeiros", afirmou Reginaldo Alexandre, presidente da unidade paulista da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais.

Na avaliação dele, analistas e investidores estão conscientes de que a redução dos lucros, neste caso, foi contábil e reconhecem os benefícios das novas regras.

Paul Sutcliffe, sócio da Ernst & Young, explica que o efeito da adoção inicial da nova contabilidade no Brasil foi diferente da média geral verificada na Europa. Lá, a aplicação do IFRS produziu, em geral, aumento nos resultados das companhias.

Mas as diferenças se devem, basicamente, às peculiaridades do processo brasileiro, que vem ocorrendo de forma gradual. O objetivo é que as companhias brasileiras estejam plenamente adaptadas ao padrão internacional em 2010.

Com isso, o balanço de 2008 sentiu o impacto de algumas normas, em gerais, redutoras de lucros, mas não o benefício de outras, que podem elevar os ganhos

O momento econômico global do ano de estreia também explica parte do resultado. Sutcliffe contou que o levantamento aponta que duas regras específicas foram as principais responsáveis pela redução dos lucros: a que trata dos efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contáveis e a que diz respeito à perda de valor de ativos.

O ano de 2008 registrou forte variação cambial, com alta do dólar próxima de 32%. As companhias que possuem ativos no exterior costumavam, pelas normas antigas, ser beneficiadas pela valorização desses bens por conta da moeda. Com as regras novas, porém, tal ganho deixou de transitar pelo resultado e passou a ser lançado diretamente no balanço patrimonial, sem afetar o lucro.

Segundo o estudo, somente essa regra, conhecida pela sigla CPC 02, diminuiu o lucro em R$ 8 bilhões, ou em 9,6% sobre o total dos resultados. Das empresas pesquisas, 15 reconheceram um ajuste.

A outra norma relevante cuja estreia gerou estragos nos balanços foi a que trata do valor recuperável de ativos, ou "impairment", como os técnicos gostam de chamá-la - CPC 01. Essa norma determina que ativos que tenham sofrido deterioração de valor devam ter o registro no balanço atualizado para baixo, por meio de uma "baixa contábil". Isso deve ser feito sempre que a companhia perceber que um bem não produzirá a riqueza compatível nem pelo uso nem pela venda.

Foi o segundo item de maior impacto na adoção das normas, produzindo uma diminuição nos lucros de R$ 5,7 bilhões ou 6,8% do total - embora tenha ocorrido em apenas sete das empresas avaliadas. Na opinião de Sutcliffe, o fato dessa norma ter estreado em meio a uma crise sem precedentes contribuiu para o resultado.

A Vale e a Cesp fizeram reduções de R$ 2,4 bilhões e R$ 2,3 bilhões no valor da Inco e da usina Porto Primavera, respectivamente.

Por fim, também a marcação a mercado de instrumentos financeiros das companhias trouxe impactos à última linha do balanço das empresas, especialmente num momento de crise como o fechamento do ano passado. O ajuste a essa regra representou 2,5% sobre o valor dos lucros do ano passado.

Apesar de o ano de 2008 já ter sofrido impactos significativos nos resultados, 2009 e 2010 ainda terão ajustes relevantes.

O sócio da Ernst & Young lembrou que a adoção de uma regra que contribuiu positivamente na Europa começará no Brasil só neste ano. Trata-se da norma que retira do balanço a amortização de ágio proveniente de movimentos de aquisição de companhias. Esse item é importante redutor do lucro, embora sem efeito caixa. O processo de convergência eliminará esse abatimento dos balanços.

Para os resultados do ano seguinte - 2010, portanto - outra regra nova relevante é a da depreciação dos ativos. A norma determinará que o lançamento das despesas pelo uso de máquinas e equipamentos reflita a vida útil dos bens. Para Sutcliffe, é possível que haja um alongamento desses prazos e, com isso, redução das despesas e efeito positivo sobre o lucro.

Pelas regras vigentes, ainda prevalece nos balanços a adoção de taxas de depreciação sugeridas pela Receita Federal, que, de forma geral, tornam a contabilização dos desgaste dos bens mais rápida.

Os resultados do levantamento da Ernst & Young serão apresentados hoje em um ciclo de palestras da Apimec, em São Paulo, a respeito do processo de convergência contábil. Serão cinco manhãs entre hoje e o dia 2 de julho. Cada manhã será dedicada a um setor específico da economia.
Fonte: Valor Econômico - 18/6/2009 ,
via César Tibúrcio, Blog Contabilidade Financeira

SPED Fiscal: Novas empresas obrigadas

Foi publicado no DOU de hoje (18.06.2009) o ATO COTEPE/ICMS Nº 19, DE 17 DE JUNHO DE 2009, que atualiza a relação de contribuintes dos Anexo IV - Estado do Amazonas, Anexo V - Estado da Bahia, Anexo VI - Estado do Ceará, Anexo VII - Estado de Espírito Santo, Anexo VIII - Estado de Goiás, Anexo X - Estado do Mato Grosso, Anexo XV - Estado do Paraná, Anexo XVII - Estado do Rio de Janeiro, Anexo XXIII - Estado de São Paulo e Anexo XXIV - Estado de Sergipe do Ato COTEPE/ICMS nº 18 de 16 de abril de 2009, que dispõe sobre a obrigatoriedade da Escrituração Fiscal Digital -EFD, nos termos do inciso II do § 1º da cláusula terceira do Ajuste SINIEF nº 02/09, que instituiu a Escrituração Fiscal Digital - EFD.

Os Estados que ampliaram a lista de contribuintes obrigados a apresentar a Escrituração Fiscal Digital - EFD foram:

Anexo IV - Estado do Amazonas,
Anexo V - Estado da Bahia,
Anexo VI - Estado do Ceará,
Anexo VII - Estado de Espírito Santo,
Anexo VIII - Estado de Goiás,
Anexo X - Estado do Mato Grosso,
Anexo XV - Estado do Paraná,
Anexo XVII - Estado do Rio de Janeiro,
Anexo XXIII - Estado de São Paulo e
Anexo XXIV - Estado de Sergipe

De acordo com este novo Ato Cotepe os anexos atualizados estarão disponíveis no sítio do CONFAZ (www.fazenda.gov.br/confaz) identificado como "Lista_Atualizada_Jun2009_Obrigados_EFD_2009.pdf" e terá como chave de codificação digital a seqüência "07f828cb90a5033734bb4d5ff2250597", obtida com a aplicação do algoritmo MD5 - "Message Digest" 5.

Fonte: DOU

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Carga tributária no Brasil chega a 38,45% do PIB no primeiro trimestre

A carga tributária no Brasil, que é a relação entre arrecadação e o PIB (Produto Interno Bruto), chegou a 38,45% no primeiro trimestre deste ano, resultado de uma arrecadação de tributos federais, estudais e municipais na ordem de R$ 263,22 bilhões, de acordo com dados do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
Divulgado nesta quarta-feira (17), o levantamento mostrou que a carga tributária do primeiro trimestre do ano passado foi de 38,95%, quando o pagamento de tributos nas três esferas somou R$ 259,22 bilhões.

Na comparação entre os dois períodos, os tributos federais apresentaram recuo de R$ 55 milhões em seu recolhimento, enquanto os estaduais e municipais cresceram R$ 4,24 bilhões e R$ 30 milhões, respectivamente.
Trimestres
"Tradicionalmente, é no primeiro trimestre de cada ano que a arrecadação atinge seu maior nível", afirmou o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.
Isso acontece, segundo explicou, porque é nesse momento que se cobra um grande número de tributos, como o Imposto de Renda, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano). Além disso, também existe a cobrança de impostos referentes a dezembro do ano anterior, como o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).
Tributos
A Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) apresentou o maior recuo nominal entre os primeiros três meses de 2008 e 2009, de R$ 3,22 bilhões. O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) veio na sequência, com queda de R$ 1,87 bilhão.
Por outro lado, contribuições para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tiveram o maior aumento nominal no período analisado, de R$ 4,70 bilhões.
Fonte: InfoMoney

terça-feira, 16 de junho de 2009

Novas palavras do dicionário Aurélio

= Esqueite
[F. red. do ingl. skateboard.]
Substantivo masculino.
1.Pequena prancha com, geralmente, quatro rodinhas, sobre a qual uma pessoa se equilibra e se desloca, sendo que, no plano, pondo, de vez em quando, um dos pés no solo, para a impulsionar.

= Esqueitismo
[De esqueite + -ismo.]
Substantivo masculino.
1.Esporte em que se fazem evoluções com o esqueite.

= Fura-banana
Substantivo masculino.
1.Bras. Zool. V. joão-congo (1). [Pl.: fura-bananas.]

= Icteríneos
Substantivo masculino plural.
1.Zool. Subfamília de aves emberizídeas, canoras, com plumagem de cores variadas, bico ou pequeno e forte, ou longo e cônico, asas ger. longas e pontudas, e cauda de tamanho variável. São sociais, ger. onívoras, sendo frugívoras as de maior porte. Habitam a América do Norte, Central e do Sul, e as Índias Ocidentais. São os japus, japins, graúnas e chupins.

= Junguiano
Adjetivo.
1.Pertencente, relativo a, ou próprio de Carl Gustav Jung (1875-1961), psicólogo e psiquiatra suíço, um dos mais próximos discípulos de Freud (v. freudiano), de quem depois se afastou.
2.Que é adepto das teorias de Jung ou profundo conhecedor de sua obra.
Substantivo masculino.
3.Seguidor de suas concepções ou profundo conhecedor de sua obra.

= Mutum-de-alagoas
Substantivo masculino.
1.Bras. Zool. Ave cracídea (Mitu mitu), originariamente endêmica da Mata Atlântica alagoana, tida hoje como extinta da natureza, e com alguns exemplares no cativeiro. Tem coloração geral preta, com o abdome marrom-claro, região auricular nua, bico esbranquiçado na ponta e rosa-claro na base. [Sin.: mutum-do-nordeste. Pl.: mutuns-de-alagoas.]

= Ficar
[Do lat. vulg. *figicare, freq. de figere, 'fixar'.]
Novo sentido:
Bras. Pop. Namorar sem compromisso, durante um curto espaço de tempo (às vezes, por uma noite):
Na festa de formatura, F. ficou com a sua melhor amiga.

= Drag queen
[Ingl.]
Substantivo feminino.
1.Homem que se fantasia de mulher e usa, ger., maquilagem teatral, para comparecer a festas, shows, ou a outros eventos; transformista.

= Laptop
[Ingl., lit., 'sobre o colo', por analogia com desktop (q. v.).]
Substantivo masculino.
1.Inform. Microcomputador portátil, dotado de bateria e com monitor plano e teclado acoplados a um gabinete compacto, próprio para uso em situações de locomoção, como durante viagens. [Cf. desktop e notebook.]

= Auto-ajuda
[De aut(o)-1 + ajuda.]
Substantivo feminino.
1.Método de aprimoramento pessoal em que o indivíduo pretende buscar, sem ajuda de outrem, soluções para problemas emocionais, superação de dificuldades, etc.

= Auto-estima
[De aut(o)-1 + estima.]
Substantivo feminino.
1.Valorização de si mesmo, amor-próprio.

= Célula-tronco
Substantivo feminino.
1.Biol. Célula indiferenciada e que, em cultura, continua indefinidamente a se dividir, gerando outras células, capazes de originar qualquer tecido ou órgão. [Pl.: células-troncos (ó) e células-tronco.]

= Blog
(ó) [Ingl. abrev. de Web log.]
Substantivo masculino.
1.Inform. Na Web, serviço que permite ao internauta criar e manter uma página em que as informações são apresentadas em ordem cronológica reversa (as mais recentes aparecem primeiro), tendo cada publicação sua data e hora de inserção, e tb. um espaço onde outros internautas podem incluir comentários associados. [Inicialmente foi us. como diário, mas com a popularização tornou-se tb. um meio para publicação de notícias, divulgação de idéias, etc.]

= Deletar
[Adapt. do ingl. (to) delete, 'destruir', 'eliminar'; 'apagar ou rasurar (texto)', < lat. deletus, part. pass. do v. lat. delere, 'apagar', 'riscar' (v. delir e -ar2).] Verbo transitivo direto. 1.Inform. V. apagar (9). [Em port., o termo é tido por alguns como malformado.]

=Escanear
[Aport. do v. ingl. to scan, 'examinar, correndo os olhos'; 'percorrer a superfície de'; v. -ear2.]
Verbo transitivo direto.
1.Inform. Digitalizar1 (documento impresso, desenho, fotografia, código de barras, etc.) através de aparelho de leitura óptica (v. scanner). [O termo escanear pode, eventualmente, abranger tb. o processamento da imagem digitalizada por um programa de interpretação ou decodificação, como no caso do reconhecimento de caracteres (q. v.) ou da leitura de código de barras (q. v.).]

= Chat
[Ingl., 'conversa informal'.]
1.Inform. Forma de comunicação através de rede de computadores (ger. a Internet), similar a uma conversação, na qual se trocam, em tempo real, mensagens escritas; bate-papo on-line, bate-papo virtual, papo on-line, papo virtual.

= DVD
[Acrôn. do ingl. d(igital) v(ideo) d(isk), 'disco digital de vídeo'.]
1. Sigla que designa um tipo de CD com capacidade de armazenar imagens, sons e arquivos de computador em quantidade muito superior à do CD-ROM (de 4,7 a 17GB), e que utiliza padrão diferente de codificação.

= Digitalizar1
[De digital + -izar.]
Verbo transitivo direto.
1.Inform. Converter (imagem ou sinal analógico) para o código digital, por meio de um scanner ou de uma mesa digitalizadora gráfica, ou mediante dispositivo de conversão de sinal analógico para digital.

Fonte:
Revista Escola




domingo, 14 de junho de 2009

Convergência

Relaxamento das normas agora é a lei
Por Jonathan Weil, Bloomberg, de Nova York

A corrida para o fundo do poço começou para os dois comitês que estabelecem a maior parte dos padrões contábeis usados no mundo. Isso pode significar apenas uma coisa. É hora deles terem concorrência.

Vamos começar com uma pergunta muito importante. Nesta era de infinitas possibilidades, qual deve ser a aparência de um organismo que estabelece princípios contábeis fáceis de ser empregados? Permita-me apresentar para sua consideração o Financial Reporting Irregularities Board (Comitê de Irregularidades das Demonstrações Financeiras). É o Frib, ou "Free-Bee", para resumir. Seu lema seria simples: Você informa, você decide.

Desde o quarto trimestre do ano passado, as grandes notícias dos mandarins da contabilidade nos Estados Unidos e na Europa têm sido sobre o relaxamento de suas regras preciosas. Um dia, o International Accounting Standards Board de Londres (Iasb) corre para atender os banqueiros e políticos, amenizando seus pronunciamentos sobre a contabilidade de marcação dos ativos pelos preços de mercado, somente para assistir o Financial Accounting Standards Board dos Estados Unidos (Fasb) afrouxar suas próprias regras mais tarde.

Nada do que eles têm feito tem sido suficiente para satisfazer os setores bancário e de seguros. Eles apenas continuam jogando os dois comitês um contra o outro, implorando por mais mudanças.

Após a última concessão do Fasb, por exemplo, o deputado republicano Spencer Bachus, do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes dos EUA, pediu no mês passado novas audiências no congresso, alegando que "ainda há dúvidas em relação à eficácia final das revisões contábeis pelo valor justo". Enquanto isso, alguns ministros das finanças europeus se queixaram que o Iasb não vem fazendo o suficiente para acompanhar as mudanças do Fasb.

A "Coalisão pelo Valor Justo" da Câmara do Comércio dos Estados Unidos, composta principalmente por bancos e seguradoras, diz que os administradores ainda não possuem a liberdade de ação que eles precisam para "reconhecer as verdadeiras perdas econômicas e permitir uma avaliação realista dos ativos". Em outras palavras, eles querem avaliar os preços dos valores de suas companhias pelos preços que eles gostariam de conseguir, e não pelos preços que os outros pagariam.

Portanto, agora a coisa chegou nesse ponto. O mundo precisa encontrar uma maneira de se certificar de que nenhum desses comitês vai ganhar essa disputa sórdida. Isso deixa apenas uma opção: deixar os bancos iniciarem seu próprio comitê de contabilidade para vencê-la.

De sua sede nas ensolaradas Ilhas Cayman, o Free-Bee reuniria as melhores e mais brilhantes mentes das maiores catástrofes financeiras do planeta, para criar um novo conjunto de padrões de livre-mercado. Lehman Brothers, Royal Bank of Scotland, American International Group (AIG), Fannie Mae, a Islândia, todos morariam alí.

Os sectários, conhecidos como freebasers ("freebase" é uma forma sólida de cocaína), preparariam suas demonstrações financeiras de acordo com as regras do Free-Bee, que caberiam todas em uma brochura de dez páginas com espaço duplo entre as linhas. O mais importante: nenhum dos membros desse novo comitê seria contador. O Free-Bee seria um empreendimento com fins lucrativos, criado para maximizar as receitas. E não há um meio mais seguro de acabar com um bom conjunto de padrões contábeis desdentados do que deixar algum contador ultraminucioso tentar redigi-lo.

Como essa operação funcionaria? Estou feliz que você tenha perguntado isso.
Vamos dizer que sua companhia mostraria um lucro de dois a três dólares por ação sob as regras do Fasb e do Iasb, e cinco dólares sob as regras do Free-Bee. O Free-Bee cortaria a diferença, negociada trimestralmente numa base cliente a cliente. Naturalmente, sua companhia estaria livre para gastar esses "lucros" extras da maneira que achasse adequada - talvez, por exemplo, em bonificações maiores para os executivos.

Antes que você classifique esse plano como um "castelo no ar", dê uma olhada na citação de Charlie McCreevy, o comissário de serviços financeiros da União Europeia, feita em um pronunciamento em Bruxelas no dia 7 de maio. "A contabilidade é hoje importante demais para ser deixada somente para os contadores. A independência daqueles que estabelecem os padrões é importante, mas eles precisam ser totalmente responsabilizados", afirmou.

A isso, os consignatários do Free-Bee gritariam: ouça, ouça! Eles prometeriam que seriam totalmente responsáveis com você; com o humilde presidente-executivo e você.
Lógico, você poderia tentar fazer o Fasb e o Iasb continuarem superando um ao outro, usando as mesmas táticas de pressão do tipo consagradas. A essa altura, porém, todos esses cheques de campanha para os legisladores seriam um bom dinheiro desperdiçado que de outra maneira você poderia estar gastando consigo mesmo.

Imagine as possibilidades. Nesta semana, o Fasb disse que vai fazer os bancos colocarem zilhões de dólares de volta em seus balanços no ano que vem, eliminando um truque "fora dos livros" conhecido como entidades qualificadas com propósitos especiais. A direção do Free-Bee pode não saber o que é esse negócio de entidades qualificadas com propósitos especiais, mas eles saberiam isso: se o Fasb quer proibí-las, então o Free-Bee as adora e exigiria que elas voltassem.

Você valoriza o arbítrio para avaliar empréstimos imobiliários comerciais sem valor da maneira que você quiser? Tudo bem. Lembre-se, quanto melhor suas avaliações, maiores os lucros do Free-Bee.

Você já está irritado com todas as perdas provocadas pelos títulos hipotecários com classificação "junk" Os membros do conselho do Free-Bee seriam fortes defensores do princípio de que todas as perdas são temporárias e todos os ganhos "non-cash" são ouro, especialmente quando os preços dos ativos que você está usando existem apenas em sua imaginação.

Ou talvez você administre uma rede de clubes de striptease de capital aberto e queira se certificar de que certas atividades de bastidores não sejam reportadas como violações da lei de Práticas de Corrupção contra Estrangeiros. Esse novo conselho não só ajudaria você a manter as prostitutas fora do balanço, como o Free-Bee as entregaria de volta na sua porta, de banho tomado e perfumadas, em apenas 30 minutos.

Vamos deixar os grandes órgãos dos padrões contábeis em sua corrida para o fundo do poço. A missão do Free-Bee seria vencê-los facilmente. E embora esse novo comitê possa enfrentar obstáculos, como o reconhecimento formal da Securities and Exchange Commission dos EUA (SEC, a CVM americana), a história nos ensina que não há nada que não possamos superar se tivermos as conexões certas. Alguém aí topa? Eu sabia.

Fonte: CFC Notícias,
César Tibúrcio

Adeus, GM (comentários ácidos de um americano)

Escrevo isto na manhã do fim da uma vez poderosa General Motors. Por volta de meio dia, o presidente dos Estados Unidos terá tornado isso oficial: a General Motors, como nós a conhecemos, foi destruída.

Estou sentado aqui no lugar onde a GM nasceu, Flint, Michigan, cercado por amigos e familiares que estão cheios de ansiedade sobre o que acontecerá a eles e à cidade. 40 % das casas e empresas da cidade foram abandonadas. Imagine como seria se você vivesse numa cidade onde quase uma de cada duas casas está vazia. Qual seria o seu estado de espírito?

É uma triste ironia que a companhia que inventou a obsolescência planejada a decisão de fabricar carros que cairiam aos pedaços após poucos anos de forma que o freguês então tivesse de comprar um novo se tornou agora ela própria obsoleta. Ela se recusou a fabricar automóveis que o público queria, carros que tivessem uma grande milhagem por litro de gasolina, que fossem tão seguros quanto possível, e extraordinariamente confortáveis de dirigir. Oh e que não começassem a cair aos pedaços após dois anos.

A GM obstinadamente combateu as regulamentações de ambiente e segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os carros inferiores japoneses e alemães, carros que se tornariam o padrão de ouro para os compradores de automóveis. E inescrupulosamente puniu sua força de trabalho sindicalizada, podando milhares de trabalhadores por nenhuma razão senão melhorar o resultado a curto prazo da corporação. Começando nos anos 80, quando a GM estava extraindo lucros recordes, ela moveu incontáveis empregos para o México e para toda parte, assim destruindo as vidas de dezenas de milhares de americanos que trabalhavam duro. A luzidia estupidez dessa política era que, quando eles eliminavam a renda de tantas famílias de classe média, quem eles achavam que iria ter dinheiro para comprar seus carros? A História relembrará esta asneira da mesma forma que agora escreve sobre a construção da Linha Maginot pelos franceses, ou como sem deixar pistas os romanos envenenaram seu próprio sistema de água com o letal chumbo em seus aquedutos.

Então, aqui estamos nós no leito de morte da General Motors. O corpo da companhia ainda não esfriou, e eu descubro que estou cheio de ouso dizer alegria. Não é a alegria da revanche contra uma corporação que arruinou a minha cidade natal e trouxe miséria, divórcio, alcoolismo, despejos, debilitação física e mental, e vício em drogas às pessoas junto às quais cresci. Nem eu, obviamente, clamo qualquer alegria em saber que mais 21 mil trabalhadores da GM serão informados de que, também eles, estão sem emprego.

Mas você e eu e o resto da América agora possuímos uma montadora de carros! Eu sei, eu sei quem na terra quer dirigir uma fabricante de carros? Quem entre nós quer que US$ 50 bilhões sejam enfiados nesse buraco de ratos para ainda tentar salvar a GM? Sejamos claros sobre isso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar nossa preciosa infraestrutura industrial, contudo, é outra questão e deve ser uma alta prioridade. Se nós permitirmos o fechamento e desmantelamento das nossas fábricas de automóveis, nós iremos desejar ardentemente que ainda as tivéssemos quando compreendermos que essas fábricas poderiam ter construído os sistemas de energia alternativos que nós desesperadamente necessitamos agora. E quando compreendemos que o melhor modo de nos transportarmos é através de monotrilhos, trens-bala e ônibus mais limpos, como faremos isso se tivermos permitido que nossa capacidade industrial e sua força de trabalho especializada desapareçam?

Assim, já que a GM está sendo reorganizada pelo governo federal e pela corte de bancarrota, aqui está o plano que eu estou pedindo ao presidente Obama para implementar pelo bem dos trabalhadores, das comunidades da GM, e da nação como um todo. Vinte anos atrás quando eu fiz Roger & Eu, eu tentei advertir as pessoas sobre o que esperava a General Motors à frente. Tivesse a estrutura de poder e seu corpo de sabichões escutado, talvez muito disso poderia ter sido evitado. Com base na minha experiência de estrada, eu solicito uma consideração honesta e sincera das seguintes sugestões:

1. Exatamente como o presidente Roosevelt fez após o ataque a Pearl Harbour, o presidente deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de automóveis em fábricas que construam veículos de transporte de massa e de dispositivos de energia alternativa. Dentro de meses em Flint em 1942, a GM interrompeu toda a produção de carros e imediatamente usou as linhas de montagem para fabricar aviões, tanques e metralhadoras. A conversão não levou tempo algum. Todo mundo arregaçou as mangas. Os fascistas foram derrotados.

Nós estamos agora em um tipo de guerra diferente uma guerra que nós temos levado a cabo contra o ecossistema e que tem sido conduzida por nossos próprios líderes corporativos. A guerra atual tem duas frentes. Uma com quartel-general em Detroit. Os produtos feitos nas fábricas da GM, Ford e Chrysler são algumas das maiores armas de destruição em massa responsáveis pelo aquecimento global e derretimento da nossa calota polar. As coisas que chamamos de carros podem ser divertidas de dirigir, mas são como um milhão de adagas no coração da Mãe Natureza. Continuar a fabricá-los levaria somente à ruína das nossas espécies e de muito do planeta.

A outra frente nessa guerra está sendo desencadeada pelas companhias de petróleo contra você e eu. Elas estão empenhadas em nos ludibriar sempre que podem, e têm sido administradoras temerárias da quantidade finita de petróleo que está localizada sob a superfície da Terra. Elas sabem que estão sorvendo até deixar completamente seco. E como os magnatas da madeira do início do século XX que não davam a mínima para as futuras gerações conforme derrubavam cada floresta em que pudessem meter as mãos, estes barões do petróleo não dizem ao público o que eles sabem ser verdade que há apenas umas poucas décadas mais de petróleo utilizável neste planeta. E conforme os dias finais do petróleo se aproximam, fique pronto para algumas pessoas muito desesperadas dispostas a matarem e a serem mortas apenas para pôr as mãos em um galão de gasolina.

O presidente Obama, agora que tomou controle da GM, necessita converter as fábricas aos novos e necessários usos imediatamente.



2. Não enfie outros US$ 30 bilhões nos cofres da GM para fabricar carros. Ao invés disso, use o dinheiro para manter a atual força de trabalho e a maioria daqueles que foram demitidos empregados de forma que possam construir os novos modos de transporte do século XXI. Permita que eles comecem o trabalho da conversão agora.



3. Anuncie que nós teremos trens-bala cruzando este país nos próximos cinco anos. O Japão está celebrando este ano o 45º aniversário do seu primeiro trem-bala. Agora eles têm dezenas deles. Velocidade média: 165 milhas por hora. Tempo médio de atraso de um trem: abaixo de 30 segundos. Eles têm esses trens de alta velocidade há quase cinco décadas e nós não temos um único! O fato de que já exista a tecnologia para irmos de Nova Iorque a L.A. em 17 horas de trem, e que nós não a usemos, é criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir as novas linhas de alta velocidade pelo país inteiro. De Chicago para Detroit em menos de duas horas. Miami para DC [Washington] em menos de 7 horas. De Denver para Dallas em cinco horas e meia. Isso pode ser feito e feito agora.



4. Dê início a um programa para pôr linhas de trens leves de massa em todas as nossas cidades grandes e médias. Fabriquem esses trens nas fábricas da GM. E contratem as pessoas das localidades para instalar e dirigir esse sistema.



5. Para as pessoas nas áreas rurais que não são servidas por linhas de trem, faça as fábricas da GM produzirem ônibus limpos e com eficiência de energia.



6. Por enquanto, faça algumas fábricas produzirem carros híbridos ou totalmente elétricos (e baterias). Vai levar alguns anos para que as pessoas fiquem acostumadas aos novos modos de transporte, então se vamos ter automóveis, façamos com que sejam mais suaves e gentis. Nós poderemos estar fabricando no próximo mês (não acredite em alguém que lhe diga que levará anos para readequar as fábricas isso simplesmente não é verdade).



7. Transforme algumas das fábricas vazias da GM em instalações que produzam moinhos eólicos, painéis solares e outros meios de formas alternativas de energia. Necessitamos de dezenas de milhões de painéis solares já. E há uma força de trabalho zelosa e habilitada que pode fabricá-los.



8. Garanta incentivos fiscais para aqueles que viajam em carros híbridos, ônibus ou trem. Também créditos para aqueles que convertam seus lares à energia alternativa.



9. Para ajudar a pagar por isso, imponha uma taxa de dois dólares sobre cada galão de gasolina. Isto ajudará as pessoas a mudar para mais carros economizadores de energia ou para o uso das novas linhas de trem e dos vagões que os antigos trabalhadores das montadoras terão construído para eles.

Bem, isso é um começo. Por favor, por favor, por favor não salve a GM de forma que uma versão menor dela simplesmente vá fazer nada mais que fabricar Chevys ou Cadillacs. Isso não seria uma solução de longo termo. Não atire dinheiro ruim numa companhia cujo cano de escapamento funciona mal, fazendo com que um odor estranho encha o carro.

100 anos atrás este ano, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir de seus buggy a cavalo, arreios e chicotes, para tentar uma nova forma de transporte. Agora é hora de que digamos adeus ao motor a combustão interna. Ele nos serviu bem por um longo tempo. Nós desfrutamos de dar um pulo de carro para tomar uma soda-limonada no A&W. Nós tran-samos no assento da frente e no de trás. Vimos filmes em grandes telas ao ar livre, fomos às corridas do Nascar pelo país, e vimos o oceano Pacífico pela primeira vez através da janela abaixada na Hwy1[auto-estrada da Califórnia]. E isso acabou. É um novo dia e um novo século. O presidente e o UAW [sindicato dos trabalhadores das montadoras] devem captar este momento e criar uma grande porção de limonada deste limão muito azedo e triste.

Ontem, a última pessoa que sobreviveu do desastre do Titanic se foi. Ela escapou à morte certa naquela noite e seguiu em frente para viver até os 97 anos.

Então, nós podemos sobreviver ao nosso próprio Titanic em todas as Flint Michigans deste país. 60% da GM é nossa. Eu acho que podemos fazer um trabalho melhor.

Do seu,

Michael Moore,

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A conta dos tributos

Mesmo com a decisão, em âmbito federal, de aliviar um pouco o peso dos impostos, com o objetivo de atenuar internamente os efeitos da crise econômica internacional, os contribuintes, de maneira geral, continuam arcando com uma carga tributária excessiva. Nos cálculos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), os brasileiros precisarão trabalhar até amanhã só para pagar tributos cobrados nas três instâncias da federação além da federal, a estadual e a municipal. Isso significa um total de 147 dias, apenas um a menos do que a média total de 2008. É a primeira redução registrada desde 1996, quando o período de trabalho necessário para pagar o fisco caiu de 106 para cem dias, mas ainda assim modesta demais para acenar com algum alento para os contribuintes.

A redução em um dia no tempo necessário para zerar as contas com tributos só ocorreu por duas razões específicas. Uma delas é a correção de 4,5% na tabela do Imposto de Renda, além da ampliação para quatro no número de alíquotas. A outra é a menor taxação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre alguns itens, como veículos, fogões, geladeiras e máquinas de lavar roupas. Um dia a menos, porém, é muito pouco para quem se encontra submetido a um verdadeiro regime de escravidão tributária. É inconcebível que os brasileiros continuem arcando com tanto tributo num país que, além de não propiciar retorno adequado sob a forma de serviços públicos, se esforça para atenuar as consequências da crise internacional no mercado interno.

O mesmo levantamento conclui que, neste ano, os brasileiros irão destinar 40,15% de sua renda bruta para o pagamento de tributos diretos e indiretos. O percentual é um pouco inferior ao de 40,51% registrado no ano passado, mas igualmente elevado o suficiente para impedir maior consumo e maior produção justamente num dos momentos em que o país mais precisa desses pilares para evitar uma descontinuidade muito acentuada no ritmo da atividade econômica. O agravante é que, além de consumir todo esse tempo para pagar tributos, os brasileiros de classe média ainda precisam destinar um período adicional para custear serviços que o poder público nem sempre consegue prover com qualidade em áreas como saúde, educação, segurança e previdência, entre outras.

O descompasso entre a eficiência do poder público em arrecadar nas três instâncias da federação e a dificuldade de fazer com que a arrecadação retorne sob a forma de serviços equivalentes aos valores arrecadados se deve em grande parte à resistência dos governantes em reduzir gastos. A insistência na manutenção e, inclusive, no aumento dos dispêndios com a máquina pública se manteve mesmo depois da confirmação de um impacto considerável na economia brasileira, que o contribuinte, agora, é obrigado a bancar pagando mais imposto do que deveria.
Fonte: ZERO HORA, 26.05.2009

Brasil está pronto para voltar a crescer, diz 'Economist'

Uma reportagem da edição eletrônica da revista Economist nesta quinta-feira aponta que o Brasil, apesar de ter sido um dos últimos países a sentir os efeitos da crise internacional, deve ser um dos primeiros a voltar a crescer.

No texto, intitulado "Ready to Roll Again" (Pronto para Crescer Novamente, em tradução livre), a publicação aponta que muitos analistas apostam que o País já está crescendo novamente e deve retornar a uma expansão anual do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% a 4%.

Para a revista, a queda de 0,8% do PIB brasileiro no primeiro trimestre, em relação ao anterior, foi menor que o esperado e cita os cortes de juros, o sistema financeiro saudável, a demanda doméstica e o dinamismo do comércio exterior como trunfos do País para ter apenas uma "breve recessão".

No entanto, a reportagem da Economist aponta alguns problemas, como a apreciação do real ante o dólar; a perda de atratividade dos fundos de investimento para a poupança, com a redução da taxa básica de juros, e o risco de um surto inflacionário, derivado da indexação.

Mesmo com as deficiências, a reportagem destaca que o Brasil está experimentando uma aposta no longo prazo em diversos setores, como o de crédito imobiliário. O texto cita a decisão do Bradesco de oferecer financiamentos de até 30 anos "algo que seria impensável há pouco tempo".

Para ver a matéria do The Economist, clique no endereço:
http://www.economist.com/world/americas/displaystory.cfm?story_id=13829366


Fonte: Redação Terra - 11.06.2009, via Flávio Dantas

Marcação a mercado: o jogo de interesses.

Parece que o IASB não está conseguindo seduzir o mundo de forma tão fácil. Acusações de ingerência na entidade tem sido levantada a cada instante, não apenas ao redor do mundo, mas de forma muito acanhada aqui no Brasil.

Não tenho dúvida da necessidade de um processo de harmonização/convergência de normas internacionais de contabilidade, mas a falta de cuidado e a ingerência no IASB (vide matérias abaixo), tem comprometido a independência e a qualidade das normas, que a todo instante são modificadas.

O assunto mais recorrente é a questão da marcação de valor a mercado.

Não é o valor de mercado que está sendo registrado, mas o valor que o mercado quer ver marcado, caso a regra até então vigente "distorça" o resultado (leia-se: dividendos e bônus).

Será que o mensageiro está fazendo o serviço sujo do banqueiro e demais especuladores? Vale lembrar que "
mensageiro" é o apelido pejorativo dado à contabilidade nos últimos meses. Que tristeza. Uma vergonha, diria o Boris! Deveria ser esta a reação dos contadores brasileiros. Mas infelizmente não é o que temos visto na mídia, e na maioria dos sites e blogs de cunho acadêmico. Será que fomos seduzidos? Dizem que o amor é cego!

O que se sinaliza é que as normas ainda mudarão. A forma está prevalecendo sobre a essência, pois a essência (emanada por algumas instituições em forma de norma) está sujeita a quem está comandando a forma (será que as instituições são mesmo independentes e pesquisam com seriedade antes de divulgá-las? Isto está sendo questionado, lá fora, é claro!).

Estão mudando as regra do jogo no final do segundo tempo... (vide matéria "A vitória contábil dos bancos americanos") Este negócio de que "... a Fasb clarificou as regras..." ... P
osso inferir então que nos tempos das vacas gordas as regras estavam sendo utilizadas sem muita precisão, pois "só agora" os banqueiros tem na mão "regras claras" sobre como valorar instrumentos financeiros. Será que os lucros de outroura eram realmente aqueles lucros? Se não foram, teve gente recebendo dividendos e bônus indevidos... Não concordo com o título da matéria. A vitória foi (por enquanto) dos bancos, nunca não contabilidade.

Quando a coisa ficar muito feia, talvez o PROER de Obama apague o incêndio com alguns bi de US$.

Será que não estamos importando cegamente os normativos internacionais. Espero que no Brasil não estejamos cultivando os nossos próprios escândalos contábeis, e que não caiamos na tentação de também ficar mudando as regras ao sabor dos bônus e dividendos comprometidos.

Precisamos de uma contabilidade que seja séria e não um mero "mensageiro" na mão de especuladores.

Selecionei alguns textos que mostram a fragilidade do órgão regulador e alguns apimentadas críticas ao sistema normativo internacional. Nada melhor para avanço das ciências contábeis que a reflexão.

(AAS)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Aprovado pelo CFC e CVM mais 3 pronunciamentos CPC

CVM e o CFC aprovam mais tres pronunciamentos do Comitê de Pronunciamento Contábeis – CPC
  • Pronunciamento CPC-16 - Estoques: seu objetivo é orientar como determinar o valor de custo dos estoques e o seu reconhecimento no resultado, incluindo qualquer redução ao valor realizável líquido. O documento apresenta, ainda, método e critérios usados para atribuir custos aos estoques. Relativo ao IAS 2.
  • Pronunciamento CPC-17 - Contratos de Construção: seu objetivo é orientar sobre o tratamento contábil das receitas e despesas associadas a contratos de construção. Nesses contratos, normalmente de execução a longo prazo, as datas de início e término do contrato ocorrem em períodos contábeis diferentes, tornando primordial o reconhecimento das receitas e despesas correspondentes ao longo da sua execução. Refere-se ao IAS.
  • Pronunciamento CPC-20 - Custos de Empréstimos: contém as orientações para o tratamento contábil aplicável aos custos de empréstimos. O conteúdo deste pronunciamento técnico está integralmente fundamentado no IAS 23 – Custo de Empréstimos, e não modifica substancialmente o tratamento dado no Brasil aos custos de empréstimos, inclusive aquele previsto na Deliberação CVM 193/96. Relacionado ao IAS 23.
O conteúdo integral dos pronunciamentos se encontra disponível na página do CPC:

Com estes, já foram emitidas 20 normas contábeis (18 em 2008), estando 15 normas em processo de audiência pública (10 em aberto e 05 encerradas) e 14 em elaboração ou apreciação no CPC e na CVM.

Deliberações da CVM

  • Deliberação CVM nº 575/09 - Aprova o CPC 16
  • Deliberação CVM nº 576/09 - Aprova o CPC 17
  • Deliberação CVM nº 577/09 - Aprova o CPC 20
Resoluções do CFC
Fontes: CPC, CVM e CFC