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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os impactos do SPED

O que mudou em sua empresa depois do Sped?

Sabemos que o projeto Sped trouxe inúmeras dúvidas e alterações nos processos das empresas. Esta pergunta remete a algo que já passou, no entanto o SPED ainda está presente no dia-a-dia das empresas. Terminada a "FASE 1" do SPED, com a adesão a NF-e, as entregas da Escrituração Contábil Digital e a Escrituração Fiscal Digital, as empresas aguardam o surgimento da segunda fase, com a evolução da NFe 2.0 e novos projetos como o E-Folha, EFD Livro de Contribuições e o E-LALUR.

Esta evolução fez com que algumas empresas observassem as mudanças trazidas pelo SPED de forma mais acentuada, observando como estas afetavam seus negócios e a cadeia de valor onde estão inseridas. As empresas que lidaram com estas mudanças impostas pelo SPED de forma proativa e trataram o tema com maior relevância, especialmente em relação aos processos e na gestão de compliance, começam a observar os ganhos que estas melhorias trouxeram ao negócio, tais como:

  • Melhoria nas práticas de logística (carga e descarga de mercadorias)
  • Melhor gestão dos fornecedores (no que se refere às condições legais destes)
  • Eliminaram a redigitação de informações, o gerou ganho de produtividade e reduziu boa parte dos erros
  • A redução de custos com a dispensa de emissão e armazenamento de documentos em papel
  • Simplificação e agilidade nos procedimentos sujeitos ao controle de administração tributária (comércio exterior, regimes especiais e trânsito entre unidades da federação)
  • Rapidez no acesso às informações
  • Possibilidade de troca de informações entre os próprios contribuintes a partir de um leiaute padrão
  • A redução de custos administrativos
  • Melhoria da qualidade da informação
  • Possibilidade de cruzamento entre dados contábeis e fiscais

Alertamos que, as empresas atravessaram um turbilhão de mudanças e vivem uma corrida contra o tempo, visto que o atendimento para esta fase é muito mais curto que na etapa inicial, já possuem parte destas informações. Com o EFD- Livro de Contribuições, sugerimos rever alguns itens:

  • Cadastro de produtos
  • Cadastro de Fornecedores e clientes (principalmente prestadores de serviços)
  • Plano de contas referencial
  • Processos
  • Capacitação dos profissionais

Terminada a Fase 1 do SPED, as empresas ainda tentam solucionar estes itens, acarretando uma maior demora na qualificação da informação e conseqüentemente aumentando o risco de exposição fiscal.


Fonte: ALIZ Informa – edição n. 19 – Ano I – 2010 (por e-mail)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Contabilidade é a língua dos negócios

Por Antoninho Marmo Trevisan, presidente da Trevisan Outsourcing, Escola de Negócios e Consultoria, do Conselho Consultivo da BDO Trevisan, da Academia Brasileira de Ciências Contábeis e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

A frase do título deste texto foi dita por Warren Buffett, em resposta à filha de um de seus parceiros nos negócios, com dúvidas sobre qual curso ela deveria fazer. Buffett deve saber o que está falando, afinal, é o investidor mais bem sucedido em todo mundo, um dos poucos que se manteve incólume na crise em que o sistema financeiro mundial submergiu no final do ano passado.

Crise é sempre crise e, por mais que se fale nas oportunidades que esses momentos possibilitam, diante dela a gente treme. Como tantos já disseram a economia não é uma ciência exata e, por isso mesmo, nem sei bem ao certo porque tanta gente insiste em fazer previsões econômicas. A única certeza sobre a qual se pode tirar conclusões diz respeito aos números da economia. E, nesse caso, se a ela é incerta, a contabilidade não mente. Se um investidor quiser conhecer uma empresa, o caminho mais curto é analisar o seu balanço, independentemente do contexto econômico em que se encontra o seu setor, o seu país, o mundo.

Embora a tendência seja ser pessimista quando o calo aperta nos momentos de crise, basta olhar para as informações contábeis para se obter uma visão realista sobre o futuro. Isso também serve para os períodos de euforia: um gestor eficiente será sempre realista e prudente no seu planejamento estratégico ou nas suas decisões de investimento.

A verdade é que, com crise ou sem crise, do ponto de vista da gestão, está ocorrendo uma enorme revolução na maneira de gerir as corporações. Sem dúvida alguma, a contabilidade faz parte disso. Nunca antes na história o contador teve tanto prestígio dentro de uma corporação. Na hora de tomar uma decisão, o bom gestor sempre terá ao seu lado um contabilista com informações saídas do forno.

E é verdade também que o Brasil tem a vantagem de ser um país de empreendedores. Diferentemente do outros povos, o brasileiro é capaz de fazer negócios das formas mais criativas. Além disso, é fato que o nosso mercado interno se ampliou, incorporando fatias da população que social e economicamente estavam apartadas do consumo.

É certo que vivemos atualmente momentos de grave instabilidade e encaramos problemas difíceis. Porém, a estrutura da economia brasileira é hoje muito mais sólida do que no passado. Dispomos de recursos e de alternativas, contamos com instituições estáveis e consolidadas e a nossa democracia tem se fortalecido a cada nova eleição.

No entanto, é preciso que empresas e agentes de mercado tenham em mente que a gestão responsável é essencial para superar uma conjuntura adversa. A lógica do padre Luca Pacioli, considerado o pai da contabilidade, está voltando. Com ela, resgata-se a visão de que uma empresa não pode viver de fantasia, mas precisa ser gerida a partir da verdade dos números, das referências do débito e do crédito, da aplicação e da origem do recurso.

Para emergir nesse novo contexto mundial, pós-crise financeira, o melhor é estar muito bem acompanhado. Mais do que nunca, é prudente valorizar os que oferecem dinamismo, criatividade, pronto atendimento e, sobretudo, solidariedade profissional.


Fonte: Revista Fator, via Blog Notícias Contábeis

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Contabilidade x Economia

Recebi e reproduzo a seguir um e-mail que recebi do amigo Prof. Paulo Pires (UESB), comentando sobre o recém lançado livro "Normas Internacionais e Fraudes em Contabilidade - Análise Crítica Introdutiva Geral e Específica", de autoria do Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá. O e-mail segue publicado após concordância do mesmo. Em tempo: o título acima foi por nos escolhido, e não pelo autor.



Prof. Paulo Pires (UESB)

Há algum tempo, paralelamente ao empenho do Prof. Lopes de Sá, venho discutindo com colegas professores, principalmente de outras áreas (História, Sociologia, Economia, Antropologia e Filosofia) sobre o papel da Contabilidade. Todos são unânimes sobre a importância da nossa Ciência, no que tange ao conjunto de informações que produzimos para entidades e usuários em geral do Sistema Contábil.

Mas agora está ocorrendo um fenômeno que considero inteiramente equivocado: Estão querendo por todos os meios ECONOMICIZAR a Contabilidade. Isso é inteiramente esdrúxulo. Os princípios de Economia ou as suas técnicas de um modo geral não podem ser adaptadas às da Contabilidade posto que trabalhamos sobre pilares de intensa objetividade. Ao passo que a ECONOMIA funciona - Deus sabe como - sobre uma seara enorme de conjecturas e refutações (expressão que tomo emprestada de um título de Karl Popper) que invariavelmente a leva para caminhos e descaminhos que os próprios economistas não sabem onde vão dar.

Ninguém seria louco ao ponto de ignorar a importância da transversaldade dos saberes. Longe disso. Acredito que a compreensão dessas transversalidades é que solidificam o conhecimento. Ao mesmo tempo insisto que se a Contabilidade quiser se manter como um conhecimento, uma ciência sólida, inerredavelmente terá que manter seus postulados, princípios, normas e convenções intocáveis. Ou seja, deverá manter-se como uma Ciência autônoma, independente atendendo exclusivamente aos constructos lógicos que emergem desses pilares. Caso contrário, tornar-se-á como querem os economistas, os administradores e os financistas, um pequeno apêndice das outras ciências.

A Contabilidade Pura trabalha e apresenta componentes que demonstram "o que é ou o que foi", e nunca "o que deveria ser". Isso é coisa para filósofos e futurólogos da Economia. Na melhor das hipóteses podemos apresentar informações projetivas por intermédio da Contabilidade Gerencial. Mas querer fazer da Contabilidade tradicional uma mistura do fato ocorrido com o fato que poderia ter sido, é um erro lógico. O mais ingênuo dos seres humanos, dentro do uso de suas faculdades mentais, jamais aceitaria os pronunciamentos técnicos do CPC, tendo em vista eles representarem um conjunto de propostas que, já está provado historicamente, não deram certo nos Estados Unidos e muito menos na Europa.

É óbvio que essa tendência de ECONOMICIZAR a Contabilidade, advém de um conjunto de pessoas (operadoras de Mercado) que querem mais e mais confundir o raio de visão dos que se aventuram em Investimentos.

Quanto mais confundirem, melhor para eles. O fato é que os meus colegas historiadores, filósofos, sociólogos, etc. "tiraram um sarro" da minha cara, perguntando por que as auditorias, as Controladorias, a Contabildade, a Administração, as Finanças ou a Economia das empresas e dos países não conseguiram impedir a "débacle" dos impéros capitalistas.

Considero essa pergunta dos colegas excelente. Realmente nenhuma das ciências do ramo de negócios impediu a queda e o fracasso dos Mercados. É óbvio também que os MANGANGÕES que operam esse Mercado, não perderam nada. Só os trouxas, os pequenos investidores ou as sociedades pagaram o Pato.

O Neo-Liberalismo, imediatamente se ocupou de espalhar que a situação ficou ruim, porque os governos não estavam tomando conta dos seus orçamentos e exigiram urgentemente um AJUSTE FISCAL (na realidade um APERTO FISCAL).

O que se infere da crise de 2008 é que mais uma vez o Mercado é bom para privatizar LUCROS e melhor ainda para socializar PREJUIZOS.

A propósito, mesmo com a Lei Sarbannes - Oxley (2002), não foi possível evitar a quantidade de fraudes nos Estados Unidos.

Querem saber? Acho que o problema não é só de planejamento, registro, execução e controle. A coisa transcende a isso e cai no espaço da ÉTICA.

Um abraço para todos e acho que devemos fazer umas mesas redondas para discutirmos e criticarmos as debilidades das Ciências Contábeis.

O autor: Prof. Paulo Fernando de Oliveira Pires, graduado em Ciências Contábeis pelo Instituto de Brasileiro de Contabilidade (1979) , especialização em Contabilidade pelo Fundação Getúlio Vargas - RJ (1982) , mestrado em Contabilidade Gestão Empresarial pelo Fundação Visconde de Cairú (2002) e aperfeicoamento em Contabilidade pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1986), Coordenador Curso Ciências Contábeis da Univ. Estadual Sudoeste da Bahia - UESB - Vitóra da Conquista - BA. Contador da Empresa Municipal de Urbanização de Vitória da Conquista.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Passivo a Descoberto

Telebrás volta a ter passivo a descoberto
Téo Takar, de São Paulo

A Telebrás, cujas ações voltaram a estar em evidências nos últimos meses, registrou prejuízo líquido de R$ 20,6 milhões em 2009 e voltou a ficar com patrimônio líquido negativo - dívidas maiores que os ativos. Ao fim de dezembro, o passivo a descoberto da empresa era de R$ 16,7 milhões.

Em dezembro de 2008, após receber um aporte de capital de R$ 200 milhões do governo federal, a companhia ficou com patrimônio líquido positivo, em R$ 3,8 milhões. Naquele ano, o prejuízo da empresa havia sido de R$ 31,78 milhões.

Sem novos aportes, e sem atividade operacional que gere receita, o balanço da Telebrás consiste basicamente em despesas com pessoal e manutenção de sua estrutura administrativa.

A empresa contabilizou apenas R$ 181 mil como receitas operacionais no ano passado. Já as despesas operacionais somaram R$ 18,4 milhões. A companhia encerrou 2009 com 227 funcionários, sendo que 223 estão cedidos à Anatel e a outros órgãos do setor.

Apesar de estar parada há mais de uma década, a reativação da estatal tem sido cogitada pelo governo, como forma de viabilizar o Plano Nacional de Banda Larga, que pretende levar o acesso de internet em alta velocidade para locais que não são atendidos pelas operadoras privadas. A possibilidade de uso da empresa para gerenciar essa rede fez as ações da companhia disparar nos últimos meses.

Fonte: Valor Econômico - 5/3/2010, Via Blog Contabilidade Financeira

Comentários
Confira AQUI as Demonstrações Contábeis da TELEBRAS. Quando o valor do Passivo for maior que o valor do Ativo, o resultado é denominado Passivo a Descoberto. Portanto, a expressão Patrimônio Líquido deve ser substituída por Passivo a Descoberto, e o mesmo será demonstrado após o Ativo (NBC T-3 - Resolução CFC nº 686/90).
(AAS)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Como calcular a margem de lucro de um produto

O lucro é o que sobra das vendas, menos o custo das mercadorias vendidas, menos as despesas variáveis e menos as despesas fixas, inclusive o pró-labore

Por Laecio Barreiros*
"Tenho uma microempresa há pouco mais de 10 anos. Meu dilema é: como calcular minha margem de lucro? O que deve sobrar para a minha empresa do preço final do produto?"
Antonio Carlos da Função

Para responder esta questão, vamos primeiro revisar dois conceitos fundamentais:

Lucro:
É o retorno positivo de um investimento feito por uma pessoa nos negócios.

Formação de preço de vendas:
Cálculo que tem por base a abrangência e cobertura de todos os custos da empresa e geração do lucro desejado. É como dizer que a partir da venda de qualquer produto você estará tirando os custos ligados à empresa, sejam eles: Custo fixo, Custo Variável ou Não Operacional e, assim, obtendo determinado lucro.

Em outras palavras, para determinar o que deve sobrar para sua empresa no final é necessário primeiro entender os conceitos citados e, a partir daí, traçar sua meta de remuneração do capital investido, ou seja, o "seu lucro". A questão é: quanto eu espero que determinado produto gere de lucro para que eu invista no negócio?

Lembrando sempre que, na outra ponta, está o mercado - clientes que atuam de forma concorrencial e influenciam o preço final dos produtos. De nada adianta colocar ou desejar uma margem de lucro muito alta se o mercado não aceita, por isso tratamos esta situação como uma variável não controlada. Você deve então colocar seu foco nas variáveis que pode e deve controlar dentro da sua empresa e da sua estrutura de formação de preços, que são os custos fixos e variáveis.

Como calcular a margem de lucro média para a sua atividade:
O lucro é o que sobra das vendas, menos o custo das mercadorias vendidas, menos as despesas variáveis e menos as despesas fixas, inclusive o pró-labore. Cada tipo de atividade tem uma margem de lucro. Salientamos que o lucro destina-se a remunerar o capital investido na empresa. É desejável que esse capital seja remunerado no mínimo por volta de 2% a 4% ao mês.

Exemplo:

Preço de VendaR$ 20,00 100%
(-) Impostos s/VendasR$ 2,00 10%
(-) Custo das Mercadorias VendidasR$ 9,00 45%
(-) Despesas VariáveisR$ 3,00 15%
(=) Margem de ContribuiçãoR$ 6,00 30%
(-) Despesas FixasR$ 4,00 20%
(=) LucroR$ 2,00 10%

Outra forma de calcular o preço de venda é utilizar o conceito de Mark-up, que é valor desejado de margem de lucro adicionado ao preço de custo do produto, vejamos um exemplo prático:

Valor de custo do produto ( MP e Diretos )R$ 9,0045%
(+) Despesas Variáveis R$ 1,0010%
(+) Despesas FixasR$ 2,2520%
Subtotal R$ 12,25
Mark-up intermediárioR$ 5,7532%
ImpostosR$ 2,0010%
Valor do preço final do produtoR$ 20,00
Mark-up Divisor Total ( fator ) 0,45

Recapitulando, Mark-up é um valor originalmente adicionado ao custo, portanto ao calcular seu valor devemos fazê-lo usando o chamado calculo por dentro, ou seja, dividir pelo fator para adicionar o valor encontrado ao próprio preço.

No exemplo, apuramos um fator de Mark-up de 0,45 que, ao aplicarmos diretamente ao preço de custo, teremos o valor de venda direto: R$ 9,00 dividido por 0,45 = R$ 20,00

Bons Negócios,

* Laecio Barreiros é contador com MBA em Finanças, diretor da L&Barreiros Controladoria, especializada em Planejamento, Finanças e Contabilidade para pequenas e médias empresas


Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Previsão do Fluxo de Caixa

Mas não conte com os analistas para dizer onde o fluxo de caixa está indo. Acontece que que as previsões de Wall Street do fluxo de caixa não são muito precisas. Isso está de acordo com um novo estudo da Accounting Review, uma prestigiada publicação da American Accounting Association

"O erro de previsão média é mais que o dobro nas previsões de fluxo de caixa do que nas previsões para o lucro" disse Dan Givoly, um professor de contabilidade da Penn State e co-autor do estudo.

As conclusões são baseada na revisão de mais de 15 mil previsões de fluxo de caixa e lucro entre 1993 e 2005.

(...) A despeito disto, as previsões de fluxo de caixa tem tornado muito popular. Em 1993, Wall Street produziu previsões de fluxo de caixa de somente 2,5% das empresas que acompanhavam seus lucros. Em 2005, mais de 57% das empresas que receberam projeções de lucros tinham também projeções de fluxo de caixa.


Fonte: Cash Flow Has Won Admirers, But Forecasting It A Challenge Earnings views err less than ones for cash flow; working capital swings - NORM ALSTER - INVESTOR'S BUSINESS DAILY – 7/1/2010
via Blog Contabilidade Financeira (Cesar Tiburcio)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A contabilidade da empresa é fundamental no momento da crise financeira?

Segundo especialista, a organização dos custos de negócio é a base de um planejamento de longo-prazo eficiente

A realidade objetiva vem demonstrando que a contabilidade é um instrumento absolutamente imprescindível para todos os momentos de uma empresa. Se por outro lado está a mesma vivenciando uma crise financeira com muito mais razão a contabilidade torna-se um instrumento que mensura a sobrevivência ou não de um empreendimento.

Partimos do princípio que trata-se de uma prática contábil absolutamente coerente e fidedigna. Para que possa haver essa coerência o plano de contas deve ser elaborado na conformidade do porte e das operações da empresa. Quanto a ser fidedigno entendo tratar-se de uma prática fiel aos fatos contábeis que a empresa operacionaliza. Desta contabilidade é possível evoluir-se para um planejamento, uma coordenação e uma controladoria. Portanto através de uma contabilidade podemos elaborar um planejamento de curto, médio e longo prazos, porquanto a contabilidade proporciona uma perfeita visualização dos custos empresariais.

Ademais é por intermédio da contabilidade que a administração financeira interage com as demais atividades tanto fim como atividades meio da empresa. Sob outro aspecto as finanças alimentadas pela contabilidade são, a rigor, uma atividade reflexa porquanto quando de um estreitamento financeiro podemos através das contas patrimoniais e de resultados saber o que está a provocar esta situação.

A contabilidade proporciona, através da análise financeira, um grande painel de informações como as margens (bruta, operacional e líquida), bem como os giros (de ativos, de estoques, de recebíveis, etc.). Como podemos depreender, mesmo nas situações limite que estão como que a indicar um recurso mais extremo (a antiga concordata ou presentemente a recuperação judicial) é mediante os dados contábeis que é possível uma conclusão objetiva do estado econômico e financeiro de um empreendimento.

Ainda não se concebeu melhor instrumento de gestão em que por se tratar de um método muito antigo num mundo sempre crescente, principalmente sob o aspecto tecnológico. Ainda prevalecem os lançamentos no livro diário, os subseqüentes lançamentos nos livro razão, os balancetes, os balanços acompanhados de quadros explicativos.

Comporta ainda observar que para quaisquer operações de gestão, associação, compra e venda de um empreendimento é sob a égide da contabilidade que podemos aferir o valor passado, presente e extrapolar o futuro.

É também mediante os registros contábeis que são possíveis as auditorias tanto interna como externa. Trata-se, como se vê, de um recurso de que se valem os investidores no sentido de acompanhar e fiscalizar a evolução dos negócios.

É de todo interessante destacar que mediante o elenco das informações proporcionadas por este grande “banco de dados” que é a contabilidade pode-se implementar o planejamento estratégico e consequentemente alimentar a administração estratégica.

Finalmente comporta observar que à medida que evolui a empresa, tendo como base o planejamento estratégico, poderão seus gestores, se valendo da contabilidade, exercer os ajustes e retificações que se façam necessários.

Augusto Paes Barreto é economista sócio-diretor da Consultoria Siegen e membro fundador da TMA Brasil - in FinancialWeb - 09/12/2009