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sábado, 30 de outubro de 2010

Regulação mais rígida para as auditorias

Por Marco Antonio Papini

27/10/2010 Valor Econômico, via FENACON

Passada quase uma década do estouro dos primeiros escândalos financeiro-contábeis em importantes empresas norte-americanas, que culminou com a edição da Lei Sarbanes-Oxley (SOX) em 2002, muito se avançou no controle e na regulação das atividades dos diretores executivos e gerentes financeiros das companhias e, por conseguinte, da atuação das firmas de auditoria.

Nos Estados Unidos, além da "per review" (revisão pelos pares), ou seja, aquela em que as auditorias examinam umas às outras, existe uma outra revisão realizada pelo Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias Abertas (PCAOB), que analisa todas as firmas de auditoria cujos clientes tenham papéis negociados no mercado daquele país.

Aqui no Brasil, a revisão pelos pares é feita desde 1º de janeiro de 2002 (Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 910, de 2001) e, de lá para cá, vem se tornando cada vez mais rigorosa. Se apenas 19 empresas foram revisadas sem ressalvas e recomendações, naquele primeiro ano, em 2008, nenhuma ficou isenta de pontos de recomendação.

É um dado bastante sintomático, que evidencia a adoção de maior rigor nas empresas revisadas. Muito embora essa revisão seja extremamente proveitosa para a melhoria da qualidade de auditoria, alguns setores a vêem com ceticismo. Do ponto de vista conceitual, tem-se razão, pois uma das regras básicas de um bom sistema de controle interno é a que estabelece que "quem executa não pode conferir", algo completamente justificável, até pelo temor do corporativismo.

Ainda comparando os dois extremos do levantamento, enquanto em 2002 foram emitidos 186 pareceres sem ressalva com recomendações, que equivalem a 71% da amostra, em 2008 apenas 56% das empresas revisadas tiveram um parecer emitido sem ressalvas, mas com recomendações.

Esse alto índice de pareceres revela que os usuários externos não precisam, em princípio, ter receio de corporativismo na revisão pelos pares, face ao elevado índice de pareceres com ressalvas e adversos no ano de 2008, (42% e 2%, respectivamente). Isso, no entanto, demonstra que a profissão de auditoria ainda deve trilhar um longo caminho para alcançar a excelência pretendida.

Recentemente, a imprensa divulgou que três das maiores empresas de auditoria tiveram seus trabalhos ressalvados após a revisão de seus papéis de trabalho pelo PCAOB, evidenciando que a melhoria não deve ocorrer apenas nas empresas de menor porte.

Argumentou-se que as demonstrações contábeis, no final das contas, estavam adequadamente representadas. Ora, tal afirmação não é uma justificativa aceitável, pois os procedimentos de auditoria não foram suficientes, e se as demonstrações contábeis não estivessem dentro do padrão, o auditor não teria sido capaz de detectar o erro.

Dessa forma, quando o auditor é contratado ele deve estar ciente que os honorários exíguos não podem ser limitadores na aplicação dos procedimentos de auditoria para dar a segurança necessária ao profissional.

A atividade de auditoria em nosso país, de uma forma geral, ainda não alcançou o índice de excelência almejado e isso ocorre por diversos motivos: contratação de profissionais que estão no início da universidade, prejudicando a educação formal e o seu crescimento profissional, e os treinamentos insuficientes após a conclusão da universidade. Neste item, o programa de educação continuada para os auditores tem propiciado grande melhoria na formação dos profissionais.

Além disso, é possível dizer que a extrema concorrência e a inexistência de cartelização propiciam honorários incompatíveis com o exercício profissional do auditor. Honorários insuficientes trazem como consequência falta de retenção de talentos e sobrecarga de trabalho, na qual os auditores disputam com orgulho quem foi o auditor que debitou mais horas no mês. Isso prejudica o desenvolvimento profissional e pessoal, ainda mais em uma atividade que requer grande dose de atenção, desenvolvimento intelectual e relacionamento interpessoal.

A implantação das normas contábeis e de auditoria sem prazo suficiente para sua assimilação é outro forte motivo a se enfatizar, paralelamente à falta de fiscalização por órgão semelhante ao PCAOB por parte da Comissão de Valores Mobiliário (CVM) e à falta de professores com dedicação exclusiva. Ainda hoje grande parte dos profissionais que lecionam em universidades possui a atividade de professor como uma segunda função.

Sobre cada um dos motivos expostos é possível descrever suas causas e desenhar algumas soluções, como a contratação de graduandos em ciências contábeis apenas quando estes estiverem no último ano e em regime de estágio, além do fortalecimento do programa de educação continuada não só para os auditores, mas também para os contadores. A criação de um órgão privado para fiscalização do trabalho de auditoria e a fiscalização com base em métricas dos honorários contratados são também boas demandas.

A partir desse complexo diagnóstico crítico sobre a auditoria no Brasil, certamente a qualidade do trabalho do auditor melhorará paulatinamente, trazendo a clientes e investidores mais confiança no profissional que analisa todas as informações contábeis e financeiras da empresa. É um longo caminho a se trilhar, não tenham dúvida.

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Marco Antonio Papini é mestre em ciências contábeis pela PUC-SP e sócio-diretor da Map Auditores Independentes, associada à CPA Associates International. Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Contabilidade x Economia

Recebi e reproduzo a seguir um e-mail que recebi do amigo Prof. Paulo Pires (UESB), comentando sobre o recém lançado livro "Normas Internacionais e Fraudes em Contabilidade - Análise Crítica Introdutiva Geral e Específica", de autoria do Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá. O e-mail segue publicado após concordância do mesmo. Em tempo: o título acima foi por nos escolhido, e não pelo autor.



Prof. Paulo Pires (UESB)

Há algum tempo, paralelamente ao empenho do Prof. Lopes de Sá, venho discutindo com colegas professores, principalmente de outras áreas (História, Sociologia, Economia, Antropologia e Filosofia) sobre o papel da Contabilidade. Todos são unânimes sobre a importância da nossa Ciência, no que tange ao conjunto de informações que produzimos para entidades e usuários em geral do Sistema Contábil.

Mas agora está ocorrendo um fenômeno que considero inteiramente equivocado: Estão querendo por todos os meios ECONOMICIZAR a Contabilidade. Isso é inteiramente esdrúxulo. Os princípios de Economia ou as suas técnicas de um modo geral não podem ser adaptadas às da Contabilidade posto que trabalhamos sobre pilares de intensa objetividade. Ao passo que a ECONOMIA funciona - Deus sabe como - sobre uma seara enorme de conjecturas e refutações (expressão que tomo emprestada de um título de Karl Popper) que invariavelmente a leva para caminhos e descaminhos que os próprios economistas não sabem onde vão dar.

Ninguém seria louco ao ponto de ignorar a importância da transversaldade dos saberes. Longe disso. Acredito que a compreensão dessas transversalidades é que solidificam o conhecimento. Ao mesmo tempo insisto que se a Contabilidade quiser se manter como um conhecimento, uma ciência sólida, inerredavelmente terá que manter seus postulados, princípios, normas e convenções intocáveis. Ou seja, deverá manter-se como uma Ciência autônoma, independente atendendo exclusivamente aos constructos lógicos que emergem desses pilares. Caso contrário, tornar-se-á como querem os economistas, os administradores e os financistas, um pequeno apêndice das outras ciências.

A Contabilidade Pura trabalha e apresenta componentes que demonstram "o que é ou o que foi", e nunca "o que deveria ser". Isso é coisa para filósofos e futurólogos da Economia. Na melhor das hipóteses podemos apresentar informações projetivas por intermédio da Contabilidade Gerencial. Mas querer fazer da Contabilidade tradicional uma mistura do fato ocorrido com o fato que poderia ter sido, é um erro lógico. O mais ingênuo dos seres humanos, dentro do uso de suas faculdades mentais, jamais aceitaria os pronunciamentos técnicos do CPC, tendo em vista eles representarem um conjunto de propostas que, já está provado historicamente, não deram certo nos Estados Unidos e muito menos na Europa.

É óbvio que essa tendência de ECONOMICIZAR a Contabilidade, advém de um conjunto de pessoas (operadoras de Mercado) que querem mais e mais confundir o raio de visão dos que se aventuram em Investimentos.

Quanto mais confundirem, melhor para eles. O fato é que os meus colegas historiadores, filósofos, sociólogos, etc. "tiraram um sarro" da minha cara, perguntando por que as auditorias, as Controladorias, a Contabildade, a Administração, as Finanças ou a Economia das empresas e dos países não conseguiram impedir a "débacle" dos impéros capitalistas.

Considero essa pergunta dos colegas excelente. Realmente nenhuma das ciências do ramo de negócios impediu a queda e o fracasso dos Mercados. É óbvio também que os MANGANGÕES que operam esse Mercado, não perderam nada. Só os trouxas, os pequenos investidores ou as sociedades pagaram o Pato.

O Neo-Liberalismo, imediatamente se ocupou de espalhar que a situação ficou ruim, porque os governos não estavam tomando conta dos seus orçamentos e exigiram urgentemente um AJUSTE FISCAL (na realidade um APERTO FISCAL).

O que se infere da crise de 2008 é que mais uma vez o Mercado é bom para privatizar LUCROS e melhor ainda para socializar PREJUIZOS.

A propósito, mesmo com a Lei Sarbannes - Oxley (2002), não foi possível evitar a quantidade de fraudes nos Estados Unidos.

Querem saber? Acho que o problema não é só de planejamento, registro, execução e controle. A coisa transcende a isso e cai no espaço da ÉTICA.

Um abraço para todos e acho que devemos fazer umas mesas redondas para discutirmos e criticarmos as debilidades das Ciências Contábeis.

O autor: Prof. Paulo Fernando de Oliveira Pires, graduado em Ciências Contábeis pelo Instituto de Brasileiro de Contabilidade (1979) , especialização em Contabilidade pelo Fundação Getúlio Vargas - RJ (1982) , mestrado em Contabilidade Gestão Empresarial pelo Fundação Visconde de Cairú (2002) e aperfeicoamento em Contabilidade pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1986), Coordenador Curso Ciências Contábeis da Univ. Estadual Sudoeste da Bahia - UESB - Vitóra da Conquista - BA. Contador da Empresa Municipal de Urbanização de Vitória da Conquista.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SOX oito anos depois

A SOX fará oito anos e ainda não foi bem digerido por todas as empresas. Segundo Floyd Norris (NYT) ainda tem partes da seção 404 que não estão sendo efetivamente cumpridas.

Veja em: Enforcing the Law, Eight Years Later

DICA
Para saber mais sobre a SOX recomendo o livro "SOX: Entendendo a Lei Sarbanes-Oxley", de Vania Maria da Costa Borgerth (São Paulo: Thomson, 2007)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Relatório contábil pode facilitar análise gerencial

As duas versões da verdade

Carlos Henrique Rocha

Não existem fatos. Apenas versões.

Muitas companhias utilizam os relatórios contábeis tradicionais para medir o resultado financeiro dos seus negócios. E sofrem bastante com isso, já que as técnicas tradicionais simplesmente não tornam possível uma adequada gestão de desempenho, englobando vários públicos e as diversas dimensões das empresas (clientes, produtos, geografias, etc.). Um desafio comum no mercado tem sido em como criar uma nova versão dos números que possibilite a adequada gestão do desempenho de suas operações.

Indo contra os que costumam dizer que só existe uma versão da verdade, temos conduzido diversos projetos em empresas diversificadas que buscam a existência de outra versão. São projetos que implementam novos modelos de classificação das receitas e dos custos, diferenciando a versão gerencial da tradicional versão financeira legal e, desta forma, possibilitando melhor atendimento aos públicos internos e externos.

A primeira verdade, ou a versão dos demonstrativos financeiros legais, por medir o resultado do desempenho geral e também por sua estabilidade, precisão e confiabilidade, atende plenamente ao público externo e ao mercado. Provê uma consolidação contábil baseada em cálculos do desempenho passado, envolvendo complicações adicionais de CVM, SOX, Basiléia II e outras regulamentações para garantir a qualidade necessária. Utiliza-se de práticas focadas em estratégias tributárias, transferências entre-empresas, etc., mas que tem se mostrado gerencialmente inadequada, quando o assunto é atender à informação para possibilitar a condução dos diversos negócios, além de não possibilitar a criação de valor a logo prazo e de forma sustentável.

Já a versáo dos demonstrativos gerenciais foca na eficiência e efetividade das diversas unidades de responsabilidade. Os resultados são multidimensionais e mostram os consumos de recursos e a rentabilidade de forma independente da estrutura legal. Outras respostas começam a surgir a partir daqui, tal como quão rentável são as diversas dimensões organizacionais? Quais as principais alavancas de custos? Quanto me custa a ociosidade? E o que acontece com a rentabilidade de uma unidade específica, se for possível reduzir uma determinada taxa de consumo de custos?

Uma grande empresa recentemente concluiu a implantação de seu novo modelo, no qual sua versão legal permanece focada na estrutura geográfica tradicional, enquanto sua versão gerencial trabalha com novos demonstrativos de resultados baseados em como as unidades de negócio consomem seus custos (desde a visão consolidada dos grupos, passando pelas diversas operações até chegar às unidades de negócio). O novo modelo de informações possibilitou ganhos acima de 8% em EBITDA, a partir da compreensão e discussão madura entre as unidades de o que alavanca suas estruturas de receitas e de custos.

Ainda que os benefícios de tais iniciativas sejam comprovados, pressupõem mudanças profundas que precisam ser observadas e tratadas com cuidado, já que transcendem à dimensão técnica. De nada adianta a criação de um novo modelo gerencial conceitualmente perfeito, com vários relatórios segmentados de Lucros & Perdas, se a responsabilidade não for estabelecida de fato. Estas são transformações que requerem uma forte gestão, uma clareza das regras e, certamente, algum tempo até que se estabilizem, pois afetam aspectos culturais profundos. Mas que valem a pena...

Fonte: FinancialWeb

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Controles para quê?

Sadia e Aracruz passam no duro teste da Sarbanes-Oxley. No entanto, processam seus ex-diretores pelos prejuízos com derivativos.

Por Graziella Valenti, de São Paulo

Sadia e Aracruz, as duas companhias com ações em bolsa que perderam bilhões do dia para a noite com operações cambiais e precisaram ser compradas para preservar suas atividades, tiveram seus controles internos de 2008 aprovados pelos auditores independentes.

O atestado consta do relatório anual que entregaram em junho à comissão de valores mobiliários americana, a SEC.

Nesses documentos, chamados 20-F, KPMG e Deloitte afirmam que Sadia e Aracruz, respectivamente, tinham controles efetivos no ano passado.

A conclusão dos auditores, contudo, abre espaço para algumas discussões, em função da história recente dessas empresas.

Não seria um contrassenso a aprovação, considerando que as companhias estão processando seus ex-diretores financeiros em busca de ressarcimento dos prejuízos porque eles teriam descumprido as políticas internas?

Tomando a ótica das empresas como base, os executivos conseguiram descumprir diretrizes existentes- intencionalmente ou não. Não se conhece detalhes dos processos das empresas, mas ambas alegaram quebra das políticas desde o primeiro momento em que comunicaram as perdas ao mercado.

A dúvida fica ainda maior quando no mesmo 20-F em que os auditores falam em efetividade dos controles, as empresas apresentam as reformas que fizeram entre o quarto trimestre de 2008 e o começo deste ano de suas estruturas de controle e gestão de risco. Se eram eficientes, por que reformá-las?

Nenhum dos relatórios das auditorias comenta as modificações realizadas pelas companhias nas políticas e processos e nem mesmo o ocorrido com os derivativos.

Nem as companhias e nem as firmas de auditoria quiseram comentar o assunto. As auditorias alegam ter contratos de confidencialidade com os clientes. Já as empresas argumentam que não devem falar do assunto, pois o processo que movem contra seus respectivos ex-diretores corre em segredo de Justiça.

A discussão, de fato, não é simples e existem mais dúvidas do que respostas objetivas. A primeira pergunta difícil de se responder - apesar de básica - é o que tais controles avaliados pelos auditores garantem ou, pelo menos, deveriam garantir. O que eles de fato controlam e para que servem?

Vale lembrar que esse relatório dos auditores independentes é uma exigência da Sarbanes-Oxley, lei que foi criada em 2002 como resposta às fraudes contábeis do começo dos anos 2000, como Enron e WorldCom.

O problema, na época, era garantir que as demonstrações financeiras lidas pelos investidores correspondessem à realidade financeira das companhias.

O dilema de Sadia e Aracruz - e da crise atual como um todo - é que os balanços das companhias possivelmente eram fiéis aos fatos. Contudo, havia um risco dentro deles (os derivativos) que não estavam adequadamente mensurados. Portanto, os ritos internos das companhias não foram suficientes para garantir a preservação do futuro do negócio.

A presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Ana Maria Elorrieta, explica que, de forma geral, a avaliação dos auditores refere-se "à efetividade dos controles internos implementados em relação ao processo de preparação de demonstrações contábeis para a data de encerramento do exercício". Ou seja, a função principal dos procedimentos avaliados é garantir que o balanço apresentado pela empresa é verdadeiro.

Além disso, segundo ela, "não cabe ao auditor fazer referência no caso de mudanças durante o exercício já que se requer que sua conclusão seja para a data base de encerramento das demonstrações financeiras". Nas palavras de Ana Maria, a análise é feita numa data "estática".

A própria SEC enfatiza, em sua interpretação sobre o tema de 2007, a relação dos controles e dos processos com a qualidade das demonstrações financeiras.

Porém, também o regulador americano admite que o conceito abrange características como revisão de aprovações e autorizações, ou seja, alçadas de decisões. E trata ainda da função de detectar e prevenir erros e fraudes.

Nelson Carvalho, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), da Universidade de São Paulo, explica que, conceitualmente, a análise dos controles deve chegar até as políticas das companhias. Segundo ele, os sistemas e procedimentos de controle existentes numa companhia servem para "dar amparo e consequência" às políticas.

Dessa forma, cabe aos auditores avaliarem as políticas das companhias que auditam. Para Carvalho, há espaço para julgamento qualitativo a respeito de suas eventuais fragilidades.

Nos relatórios de Sadia e Aracruz, KPMG e Deloitte afirmam que os controles averiguados dizem respeito ao registro sobre as transações com ativos das empresas, à eficiência de tais informações para a elaboração das demonstrações financeiras e, por fim, à prevenção contra aquisição, uso e alienação de ativos da empresa sem autorização prévia.

Ou seja, em relatórios muito semelhantes - apesar de feitos por auditorias diferentes e tratarem de companhias diferentes - KPMG e Deloitte evidenciam que a análise é feita apenas sob o prisma da veracidade das informações financeiras dos balanços.

FONTE: Valor Econômico, 16.07.2009, via CFC

quarta-feira, 18 de março de 2009

Reapresentação de Demonstrações Contábeis

O número de empresas nos EUA que apresentaram novamente as demonstrações contábeis caiu nos EUA no ano de 2008, informa a revista CFO (The State of Restatements: Sharply Falling, Stephen Taub, 10/3/2009). Baseado na pesquisa da Audit Analytics, o número foi de 869 em 2008 versus 1235 em 2007. Este é o menor número desde 2003, um ano após a Sarbox. Além da redução do número, também diminuiu o valor médio envolvido (6,1 milhões de dólares, versus 22,5 milhões em 2006, por exemplo).

Via: Contabilidade Financeira

Veja AQUI a íntegra da matéria "The State of Restatements: Sharply Falling" no site CFO.com

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Case : Conversão para IFRS no grupo Gerdau

Veja AQUI a apresentação de Geraldo Toffanello, Diretor Corporativo Contábil do Grupo Gerdau , demonstrando como foi o processo de convergência às IFRS.

Na apresentação são elencadas as dificuldades encontradas, os benefícios para o Grupo Gerdau e as expectativas e novos desafios.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ameaça a SOX - 2

Ontem divulgamos uma nota sobre uma ameaça que paira sobre a SOX (Ameaça a SOX): o U.S. Court of Appeals do District of Columbia Circuit está julgando se uma das inovações da lei, a criação do PCAOB, criado para melhorar a auditoria das empresas, é constitucional.

Hoje o jornal eletrônico CFO.com divulgou os resultados de um relatório da Association of Certified Fraud Examiners (
Report: Sarbox Worsens Fraud Losses) mostrando que a implantação de controles internos recomendados pela SOX dificulta a descoberta de fraude pelas auditorias independentes.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ameaça a SOX

A SOX (Lei Sarbanes-Oxley) foi criada nos Estados Unidos após os escândalos corporativos. Agora, segundo Jane Bryant Quinn (em Lawsuit Threatens Sarbanes-Oxley Act, para o Washington Post de 20 de julho de 2008), a legislação está ameaçada.

O U.S. Court of Appeals do District of Columbia Circuit está julgando se uma das inovações da lei, a criação do PCAOB (pronuncia-se peek-a-boo), criado para melhorar a auditoria das empresas, é constitucional.

Em caso afirmativo, todo ganho da SOX pode-se perder.


segunda-feira, 7 de julho de 2008

Estudo de Caso - GERDAU - Demonstrações comparativas em IFRS

A Gerdau publicou seu balanço 2007 (comparativo 2006) com o padrão IFRS, o melhor é que a empresa disponibilizou o mesmo para consulta, com certeza para os interessados e necessitados de mais informação sobre o assunto (me incluo nas duas categorias) o material é inestimável, a Gerdau é uma empresa Brasileira de expressão mundial que faz todos os tipos de transação contábil e financeira tanto no Brasil como no resto do mundo, desta forma podemos ver no Balanço da empresa a aplicação do IFRS quase que em sua totalidade, aonde não há aplicação existem notas explicativas para suportar a não aplicação ou isenção, é um trabalho para guardar com carinho nos favoritos como um ás na manga para solução de dúvidas e busca de exemplos práticos, são 97 páginas que provam o que eu já desconfiava: o IFRS além de ser uma norma para apresentação de demonstrações financeiras, acaba quando bem trabalhado e dentro da empresa certa virando uma peça de marketing financeiro , a demonstração da Gerdau além de ser muito bem feita é uma vitrine para os possíveis investidores. Acesse o trabalho aqui

Texto de Marcos César, Blog Ifrs

sábado, 5 de julho de 2008

Auditoria aposta em nova lei contábil para manter ritmo

[Reuters]

As empresas de auditoria independente apostam no potencial de mercado criado com a nova legislação contábil para não perder o "ritmo chinês" de crescimento no Brasil patrocinado pela recente febre de aberturas de capital.

Para isso, estão contratando um batalhão de mais de 2 mil pessoas só neste ano, investindo dezenas de milhões de dólares em treinamento e importando profissionais de diversas partes do mundo.

Todo esse aparato visa atender as demandas que surgiram com reformas na contabilidade brasileira.

Um dos desdobramentos desse processo foi a criação de uma agenda para alinhamento do padrão contábil brasileiro às IFRS, modelo já abraçado por mais de 100 países e que será obrigatório para bancos nacionais e para as quase 500 empresas listadas na Bovespa .

O outro é a obrigatoriedade da divulgação de balanços auditados para grandes empresas de capital fechado. Só essa mudança deve trazer imediatamente para o mercado de 400 a 500 novos clientes, estimam as firmas de auditoria.

"Mas o mercado potencial é de cerca de oito mil empresas nos próximos anos", anima-se Alcides Hellmeister Filho, chairman da Deloitte no país.

Essa é apenas mais uma das ondas que avançaram sobre o mercado corporativo na atual década, impulsionando as operações das firmas de auditoria no país.

O ciclo começou com a lei societária Sarbanes-Oxley, que exigiu gastos elevados para implementação de rigorosos controles internos das empresas listadas nas bolsas de Wall Street, inclusive as do Brasil, segunda maior matriz de companhias não-americanas com ADRs.

O passo seguinte foi a avalanche doméstica de ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), que levou mais de 130 empresas à Bovespa nos últimos quatro anos. Esse movimento fez explodir a demanda por serviços das empresas para ganhar eficiência e se alinhar às melhores práticas de governança.

Por terem atuação global e multidisciplinar, as chamadas "big four" --Price, Deloitte, KPMG e Ernst & Young-- nadaram de braçada, passando a atuar fortemente em serviços de consultoria como nas áreas de gestão e de impostos. Resultado: chamá-las atualmente de firma de auditoria já virou uma incorreção.

"Hoje, 60 por cento do nosso faturamento vem de serviços de consultoria", conta Fernando Alves, presidente da Price, a maior no país. No começo da década, 70 por cento da receita vinham de serviços de auditoria.

Com isso, essas firmas vêm dobrando de tamanho a cada três a quatro anos. As unidades das quatro gigantes no país movimentam cerca de 1,5 bilhão de dólares.

SEM CRISE

Nem a crise nos mercados internacionais deve interromper esse processo. "Vamos dobrar de tamanho de novo nos próximos quatro anos", estima Hellmeister Filho, da Deloitte.

O motivo, segundo as companhias, é que a demanda por produtos prestados por elas, especialmente de auditoria, ainda é baixo no país.

"O Brasil ainda é um dos países menos auditados do mundo", avalia Alves, da Price.

Neste ano, boa parte das contratações previstas pelas "big four" será focada para trabalhar com IFRS.

"Um grande limitador para o crescimento é a falta de talentos", reclama Alves, da Price, que está contratando 500 novos funcionários.

"Se tivéssemos mais gente, teríamos mais clientes", emenda Sergio Ricardo Romani, sócio da Ernst & Young.

Para compensar a escassez de profissionais que combinem conhecimentos de auditoria, finanças, contabilidade, tributação e inglês, essas firmas passaram a buscar novos funcionários nas universidades e investir num caro e demorado processo para complementar a formação.

A Price e a Deloitte têm cada uma cerca de 500 trainees em fase de formação. "Num prazo de dois a três anos eles estarão prontos", conforma-se Hellmeister Filho, da Deloitte.

A Ernst criou em 2007 uma universidade interna só para complementar a formação de seus novos colaboradores, como parte de um projeto educativo que consome 3 por cento da receita.

Muito freqüentemente, esse processo inclui a passagem por um treinamento em outras unidades das empresas, na Europa e na América do Norte, que pode levar até dois anos.

"Ainda assim, estamos tendo que importar gente de fora", conta Romani, da Ernst.

"Com uma taxa de crescimento de 30 por cento ao ano, vai ficando difícil achar profissionais especializados", completa Pedro Melo, sócio-líder de auditoria da KPMG no país.


UOL Economia, 01/07/2008 - Edição de Daniela Machado

quinta-feira, 27 de março de 2008

Escândalo Contábil nos EUA com envolvimento de uma BigFour

Parece que mais um novo escândalo surge nos EUA. Desta vez um relatório independente solicitado pelo Ministério da Justiça daquele país aponta o envolvimento de das maiores empresas de auditoria do mundo, acusando-a de coninvente em uma fraude contábil na empresa New Century,a qual mantinha ativos superavaliados para não reduzir os lucros. A empresa participa do mercado imobiliário americano.

Leia mais no site da Reuters.

Credores da Enron receberão indenização do Citigroup.

O Citigroup, maior banco dos EUA em ativos, pagará US$ 1,66 bilhão e abrirá mão de cerca de US$ 4,25 bilhões em pedidos de indenização para fechar acordo em processo movido pelos credores da Enron, relacionado à falência, em 2001, da empresa de energia elétrica.

O banco era o último réu da ação para responsabilizar instituições financeiras por suposta atuação na fraude.

Fonte: Folha de São Paulo, 27/03/2008 a íntegra leia
aqui.

Leia mais sobre o caso Enron
aqui no Blog.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Auditoria pagará U$ 30 milhões nos EUA

Um das maiores empresas de auditoria do mundo concordou em pagar US $ 30 milhões para resolver as reclamações decorrentes de sua auditoria em um conglomerado financeiro.

A empresa, que é uma das Big Four do segmento de auditoria, foi acusada de ajudar seu cliente a disfarçar seus problemas através da criação de um regime de investimento offshore.

Fonte: CFO.com, 04/03/2008 (Leia aqui na íntegra)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Enron - Os Mais Espertos da Sala (filme)

Uma fraude contábil mascarou um esquema que estava por trás da sétima maior empresa dos Estados Unidos. Quando a verdade veio à tona, tudo de pior aconteceu: a companhia fechou e os funcionários e investidores ficaram sem um centavo sequer. O documentário Enron - Os Mais Espertos da Sala revela as artimanhas feitas por contadores e pelos chefes-executivos para fazer parecer um fenômeno de crescimento uma organização que só rendeu frutos para quem esteve envolvido no esquema.

O colapso deixou saldo de 20 mil desempregados e um bilhão de dólares na conta dos responsáveis pela fraude. A falência da empresa de energia foi decretada em 2001. As filmagens consultam analistas econômicos e ex-empregados, que denunciam Kenny Lay e Jeff Skilling como os cabeças do escândalo.

Assista o trailer (inglês)

O caso Eron (BBC - português)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Alternativas e reforma da lei das sociedades por ações

O que recentemente a lei acabou de consagrar sobre as informações contábeis é um regime de “alternativas”.

A letra do artigo 177 da lei 6404/76 que já era defeituoso tecnicamente do ponto de vista contábil continuou sem alteração em seu caput, ou seja: “A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência”, mas, os parágrafos se incumbiram de estabelecer mudanças.

Leia a íntegra do artigo em: http://www.classecontabil.com.br/servlet_art.php?id=1484

sábado, 19 de janeiro de 2008

Convergência do BR GAAP para IFRS não é consenso

O tema sem dúvida mais discutido hoje no meio contábil é a convergência do Brasil às normas internacionais (IFRS/IASB).

Neste Blog você encontra várias postagens sobre este tema. Confira aqui.

Apresentamos agora aos nosso leitores a visão do Prof. Dr. Antonio Lopes Sá, que tem produzido vários artigos sobre este tema, com posição contrária à esta convergência/harmonização aos padrões do IASB.

CVM espera que empresas usem normas contábeis internacionais até 2010 - 14/01/2008

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) espera que as novas normas contábeis --em linha com o padrão internacional-- estejam plenamente em vigor para ser usado nos balanços das empresas até 2010, informou nesta segunda-feira Antonio Carlos de Santana, superintendente de Normas Contábeis do órgão.

As mudanças foram definidas pela lei 11.638/07, sancionada no final de dezembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que altera significativamente a Lei das Sociedades por Ações.

As mudanças contábeis, além de fazer os balanços brasileiros ficarem de acordo com as normas do Iasb (Conselho de Padrão Internacional de Contabilidade, na sigla em inglês), também trará mais transparência para as demonstrações --inclusive as das grandes empresas de capital fechado, já que elas também terão que ter o balanço aprovado por uma auditoria independente. Todas as empresas com faturamento anual superior a R$ 300 milhões ou tenham patrimônio acima de R$ 240 milhões estão enquadradas nessa regra.

"Esperamos que a convergência total do balanço consolidado das empresas possa ser feito em 2010", disse Santana.

Para isso, a CVM precisa fazer todas as instruções normativas até o final de 2009, para que possam ser aplicadas no balanço do mesmo ano, que será divulgado em 2010.

Leia na íntegra em:

Folha Online - Dinheiro - CVM espera que empresas usem normas contábeis internacionais até 2010 - 14/01/2008

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Empresas deixam bolsas nos EUA devido a ações judiciais

As empresas estão evitando abrir seu capital e negociar ações nas bolsas norte-americanas devido aos riscos relacionados a disputas judiciais dispendiosas. Isso é o que revela uma pesquisa patrocinada pelos dirigentes das maiores firmas financeiras de Wall Street. Noventa por cento das empresas que retiraram suas ações de alguma bolsa norte-americana nos últimos quatro anos citaram o custo dos processos judiciais movidos contra elas como um dos motivos, segundo a pesquisa, patrocinada pelo Financial Services Forum de Washington.

Um terço das companhias que optaram por não negociar suas ações nos Estados Unidos citaram o risco de serem vítimas de ações judiciais como "extremamente importante" em sua decisão, segundo o levantamento.


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Das 71 empresas que deixaram as bolsas norte-americanas nos últimos quatro anos, 43 por cento disseram ter sido afastadas pela ameaça de ação judicial, pela Lei Sarbanes-Oxley e por questões contábeis. Vinte e oito por cento citaram a disponibilidade de capital e 11 por cento mencionaram o custo para lançar ações na Bolsa de Valores de Nova York e em outros mercados, segundo a pesquisa.

Fonte: Gazeta Mercantil (14/12/2007) - Leia na íntegra