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quarta-feira, 30 de junho de 2010

EXTRA: O Brasil está fora da Copa?

Vejam só a mancada do Extra.





Seleção se despede da Copa?

O Globo - Emanuel Alencar, 30.06.2010

Em um anúncio publicado ontem no caderno de esportes Copa 2010, do jornal “Folha de S. Paulo”, a rede de supermercados Extra estranhamente se despede da seleção brasileira na Copa da África do Sul, com um “Valeu, Brasil. Nos vemos em 2014”. Não demorou para o erro ganhar o microblog Twitter. O equívoco, atribuído pela rede de supermercados ao jornal, foi duramente criticado pelo empresário Abílio Diniz, presidente do conselho de administração do Grupo Extra/Pão de Açúcar, em seu microblog: “Estou ao lado dos que se indignaram com o anúncio publicado erroneamente pelo jornal. Não compartilhamos com a impunidade e tomaremos as providências, que não eliminarão o erro, mas irá responsabilizar os culpados” — escreveu o empresário.

Na peça publicitária, a palavra seleção é escrita no idioma zulu: “A I qembu le sizwe (seleção) sai do Mundial. Não do coração da gente”.

Em nota divulgada à imprensa, o Extra lamenta o erro ocorrido na veiculação do anúncio:

“A empresa informa que a ‘Folha de S. Paulo’ errou na seleção do material para publicação e irá se retratar publicamente com a correção do material visto que, como patrocinador da seleção, a rede Extra tem sido entusiasta do time brasileiro.”

Às 14h44m, o jornal publicou em seu site a notícia admitindo o erro: “A Folha de S.Paulo esclarece que no dia 29/6/2010, no Caderno Copa 2010, página D11, foi publicado equivocadamente um anúncio do Hipermercado Extra, devido a um problema ocorrido na área de inserção de anúncios. Lamentamos o erro”.

Com a enorme repercussão no Twitter, a ombudsman da “Folha”, Suzana Singer, comentou, em resposta a um seguidor: “Saiu anúncio errado do Extra hoje por problema da inserção da Folha. Sairá uma errata amanhã. Tremenda mancada.”

Procurada pelo GLOBO, a funcionária responsável por falar com a imprensa sobre o anúncio, Katia Gama, secretária do Departamento Comercial, disse que a “Folha de S. Paulo” divulgaria uma errata hoje sobre o assunto e que a empresa não faria mais nenhum comentário sobre o erro.


Fonte: via Blog Cesar Tiburcio: Quando um jornal erra feio...

Contadores viram foco da discussão 2

Rachel Sanderson,
do Financial Times, de Londres
25/06/2010 - Via Valor On Line
Os contadores correm o risco de se tornar o centro das atenções na reunião deste fim de semana do G-20, o grupo das 20 nações mais industrializadas do planeta. A admissão recente dos formuladores de regras globais da profissão, o Iasb e o Fasb, de que não conseguirão atender o prazo de junho de 2011 estabelecido pelo G-20 para a criação de um único conjunto global de padrões contábeis de alta qualidade, vem recebendo críticas de alguns segmentos.
Michel Barnier, a principal autoridade reguladora contábil da Europa, e presidentes executivos de vários bancos já demonstraram sua insatisfação. No Institute of International Finance (IIF), William Rhodes, presidente do conselho de administração do Citigroup, pediu ao G-20 que "proporcione incentivos". "Sem padrões contáveis globais unificados, não se pode ter padrões reguladores internacionais bem sucedidos", disse.
Depois que a harmonia contábil se tornou o sustentáculo de uma reforma bancária mais ampla, a incapacidade dos formuladores de normas de chegar a um acordo sobre como fazer as empresas de todo o mundo usarem as mesmas regras assumiu um significado político incomum.
Alguns contadores reagem afirmando que o foco do G-20 torna mais difícil obter a convergência. Políticos americanos ou europeus não abrirão mão da soberania sobre as regras contábeis no momento em que o mundo todo está assistindo os acontecimentos, afirmam eles.
No entanto, o destaque dado à profissão pelo G-20 também poderá oferecer uma oportunidade. Poderá proporcionar uma plataforma para a resolução de falhas mais amplas nas demonstrações de resultados corporativos, que deverá precisar de algum tipo de ímpeto político para ser bem sucedida.
Contadores e investidores - e cada vez mais as autoridades reguladoras -, afirmam que as turbulências financeiras dos últimos anos mostraram que há necessidade de uma maior transparência não só nas regras contábeis, mas também nos relatórios anuais. Eles afirmam que o aumento do tamanho e das informações contidas nos relatórios corporativos acaba tornando confuso o quadro da saúde financeira das empresas.
O relatório anual de 470 páginas do HSBC ou os calhamaços de informações não auditadas sobre iniciativas de sustentabilidade sempre são lembrados como exemplos de excessos nas prestações de contas corporativas que acabam provocando confusão.
Numa tentativa de chamar atenção para o problema, o Chartered Institute of Management Accountants, a PricewaterhouseCoopers (PwC) e empresa de pesquisas Tomorrow's Company estão lançando este mês um estudo global sobre as prestações de contas das empresas.
Por meio de uma série de evidências que deverão ser divulgadas por associações espalhadas pelo mundo, o grupo está tentando conseguir a adesão internacional à reformulação das demonstrações financeiras, na esteira da crise mundial.
Suas questões são amplas mas o alvo é perceptível. Ao perguntar quais são os pontos fracos e os pontos fortes do sistema, as barreiras que impedem a evolução das prestações de contas corporativas e as possíveis soluções, o grupo quer identificar as limitações do modelo existente de prestação de contas e se concentrar nas barreiras para mudar esse modelo.
É difícil conseguir apoio suficiente de políticos e reguladores, investidores e contadores para a realização de mudanças significativas, conforme é possível observar. No entanto, o fato de a pesquisa coincidir com a reunião do G-20 e seu foco na contabilidade, poderá dar a ela uma chance maior de sucesso.
Uma pesquisa feita recentemente pela SAS e Thomson Reuters também dá uma ideia das mudanças que os investidores querem fazer. Apenas 12% dos entrevistados consideraram os relatórios anuais compreensíveis e objetivos. Cerca de 25% acham que os relatórios mostram claramente a estratégia da empresa.
E o mais importante: quase todos os entrevistados querem mais informações segmentadas e por divisões, mais transparência em relação à exposição a derivativos e hedging (mecanismos de proteção) e uma melhor compreensão geral dos potenciais riscos.

Contadores viram foco da dioscussão 1

Segundo Rachel Sanderson (G20 focus could push corporate reporting reform, Financial Times, 24 de junho de 2010), os contadores podem ser o centro da reunião do G20 no fim de semana. Recentemente, o Iasb e o Fasb admitiram que não irão conseguir atingir em junho de 2011 o objetivo de criar um conjunto de normas de contabilidade.

Diversas pessoas já manifestaram a insatisfação com a posição das duas entidades. O texto cita algumas delas, como William Rhodes, do Citigroup, que defendeu que o G20 deve "provide impetus" para normas globais de contabilidade.

Além do comunicado, o G20 pode encontrar na contabilidade uma justificativa para outros problemas.

De qualquer forma, segundo Sanderson,
Contadores e investidores - e cada vez mais os reguladores - argumentam que a crise financeira mostrou que é necessária uma maior clareza não só em normas de contabilidade, mas também em relatórios anuais.

O “Estado do Mundo”

Akatu lança relatório "Estado do Mundo" em português

Documento aponta que, sem mudança cultural que valorize a sustentabilidade em vez do consumismo, nada poderá salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas

O Instituto Akatu pelo Consumo Consciente lança na próxima quarta-feira, dia 30 de junho [HOJE], a versão em português do relatório "Estado do Mundo – 2010", uma das mais importantes publicações periódicas mundiais sobre sustentabilidade.

Produzido pelo Worldwatch Institute (WWI) – organização com sede em Washington (EUA) – o "Estado do Mundo" traz anualmente um balanço com números atualizados e reflexões sobre as questões ambientais.

Neste ano, o tema é "Transformando Culturas – do Consumismo à Sustentabilidade" e aborda as mudanças no consumo, sob a ótica da economia, negócios, educação, mídia e movimentos sociais.

Segundo dados do relatório, na última década, a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28%. Somente em 2008, foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares.

Para produzir tantos bens, é preciso usar cada vez mais recursos naturais. Entre 1950 e 2005, a produção de metais cresceu seis vezes, o consumo de petróleo subiu oito vezes e o de gás natural, 14 vezes. Atualmente, um europeu consome em média 43 quilos em recursos naturais diariamente – enquanto um americano consome 88 quilos, mais do que o próprio peso da maior parte da população.

Além de excessivo, o consumo é desigual. Em 2006, os 65 países com maior renda, que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços. Somente os americanos, com apenas 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos quase 7 bilhões, e projetam-se 9 bilhões para 2050.

A pior notícia é quem nem mesmo um padrão de consumo médio, equivalente ao de países como Tailândia ou Jordânia, seria suficiente para atender igualmente todos os habitantes do planeta. A conclusão do relatório não deixa dúvidas: sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade e não o consumismo, não haverá esforços governamentais ou avanços tecnológicos capazes de salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas.

Editado há 28 anos e em cerca de 30 idiomas, o "Estado do Mundo" é publicado no Brasil desde 1999 pela Universidade Livre da Mata Atlântica (UMA), representante do WWI no Brasil. Neste ano, o Akatu foi convidado para a parceria devido ao tema abordar especificamente sustentabilidade e consumo. "Ao longo da sua existência, o Akatu vem se estabelecendo como referência no Brasil em abordagem de questões referentes ao comportamento de consumo, razão pela qual recebemos essa honrosa responsabilidade do Worldwatch Institute", afirma Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

"Este relatório proporcionará o acesso a informações abrangentes a respeito de uma vida mais saudável ambiental e socialmente, para toda a sociedade", comenta Eduardo Athayde, diretor do WWI.

Para o presidente do Akatu, o "Estado do Mundo" é uma ferramenta primordial de consulta para todos aqueles que têm alguma intenção de cooperar com a preservação do planeta. "O relatório é um choque de realidade. Um material que impulsiona a todos os que têm acesso a ele a agirem em benefício da Terra", conclui Mattar.

A edição do Estado do Mundo em português e o evento de lançamento são patrocinados pelo Itaú, parceiro pioneiro do Instituto Akatu.

Após o lançamento oficial no dia 30, o relatório estará disponível para ser baixado gratuitamente nos sites do Akatu e do WWI.

Abaixo, algumas das conclusões do relatório


Economia e Negócios
No âmbito da economia e negócios, uma dos aspetos fortemente recomendados pelo relatório é a "reavaliação do papel das grandes corporações". O documento considera o poder de alcance do setor: "em 2006, as 100 maiores companhias transnacionais empregavam 15,4 milhões de pessoas com um volume de vendas de US$ 7 trilhões — o equivalente a 15% do produto mundial bruto" e conclui que "um sistema econômico sustentável dependerá de convencer as companhias, por meio de um conjunto de estratégias, de que a condução de seus negócios de maneira sustentável".

No âmbito social, empresarial e pessoal, a compreensão e a adoção de práticas de sustentabilidade são limitadas. Mudar uma organização costuma ser um processo ainda mais longo do que o da mudança pessoal.

Muito se pode aprender com empresas que foram além das mudanças superficiais para abraçarem plenamente a sustentabilidade e que, assim, determinaram mudanças profundas em sua cultura organizacional. Para essas companhias, a sustentabilidade tem papel fundamental como um conjunto de valores que integram a prosperidade econômica, a gestão ambiental e a responsabilidade social, ou seja: lucro, planeta e pessoas.

Para alcançar esse nível de mudança, os líderes devem apresentar visões arrojadas e devem envolver suas organizações em discussões diversas, mais profundas, sobre o objetivo e a responsabilidade da empresa em oferecer valor verdadeiro para os clientes e a sociedade. Além disso, o engajamento de toda a empresa é essencial.

Educação
Segundo o relatório, uma pesquisa anual com alunos de primeiro ano de faculdades nos Estados Unidos investigou durante mais de 35 anos as prioridades de vida dos alunos. No transcorrer desse tempo, a importância atribuída a ter boa situação financeira aumentou de pouco mais de 40% para quase 80%, enquanto a importância atribuída à construção de uma filosofia de vida plena de sentido diminuiu de 75% para pouco mais de 45%. E "este não é um fenômeno apenas americano", ressalta o documento.

Para romper com o padrão do consumismo, todos os aspectos da educação terão de ser pautados pela sustentabilidade. Hábitos, valores, preferências – todos são, em grande medida, formados na infância. E durante a vida, a educação pode ter um efeito transformador sobre quem aprende. Portanto, explorar essa instituição poderosa será essencial para redirecionar a humanidade para culturas de sustentabilidade.

Nenhum sistema educacional é isento de valores, pois todos ensinam e são orientados por um determinado conjunto de ideias, valores e comportamentos, quer seja o consumismo, comunismo, crenças religiosas, ou sustentabilidade

Quanto mais a sustentabilidade puder estar integrada aos sistemas escolares atuais, maior será o número de pessoas que internalizarão os ensinamentos da sustentabilidade desde a infância. Dessa forma, as ideias, valores e hábitos se tornarão "naturais". A partir de então, a educação funcionará como ferramenta poderosa para criar sociedades sustentáveis.

Mídia
A maior parte da mídia ainda reforça o consumismo, mas existem esforços no mundo todo para que seu vasto poder e alcance seja utilizado para promover culturas sustentáveis.

Segundo o relatório, 83% das residências no mundo têm aparelhos de televisão e 21 em cada 100 pessoas têm acesso a internet. Entretanto, a maior parte da mídia ainda reforça o consumismo, apesar de existirem esforços no mundo todo para que seu vasto poder e alcance seja utilizado para promover culturas sustentáveis.

Por meio de ações publicitárias globais, o setor de água engarrafada, por exemplo, ajudou a criar a impressão de que água na garrafinha é mais saudável, mais saborosa e está mais na moda do que a boa e velha água "torneiral", mesmo quando estudos demonstram que algumas marcas de água engarrafada são menos seguras do que água da rede e custam de 240 a 10 mil vezes mais. A indústria de água engarrafada movimenta hoje US$ 60 bilhões e vendeu 241 bilhões de litros de água em 2008, mais que o dobro da quantidade vendida em 2000.

Serviço:
Lançamento do relatório "Estado do Mundo-2010" (versão em português)
Data:
30/06/2010
Horário: das 10h30 às 12h30
Local: Livraria Cultura, no Conjunto Nacional – Teatro Eva Herz
Endereço: Av. Paulista, 2.073 – Bela Vista

Dica da Profª Luziléa Brito de Oliveira

terça-feira, 29 de junho de 2010

Documentos eletrônicos: o real e o virtual

por Angelo Volpi Neto
25/06/2010 - Valor Econômico
A mídia digital como suporte para documentos é a grande novidade no direito. Depois de séculos de uso do papel na estipulação de contratos, títulos de crédito, ações, documentos de identificação e o próprio papel moeda, vemos tudo isso ser expresso em documentos eletrônicos. "Do papel ao virtual, do físico ao virtual, a desmaterialização do documento!" Bradam juristas, juízes, ministros e outros tantos, em artigos, pareceres e decisões judiciais.
Mas seriam mesmo os documentos eletrônicos "virtuais" em seu sentido etéreo, e não físicos? Essa é a questão que pretendo colocar aqui, pois como veremos, suas consequências são inúmeras.
O fato de um documento eletrônico não ter sido considerado matéria, tem gerado consequências diversas. Desde a inaplicabilidade de delitos até decisões judiciais polêmicas como, por exemplo, a do Ministro Sepúlveda Pertence em 1988 em recurso extraordinário 176.626/SP- STJ.

Nesse caso, em votação unânime da 1ª Turma, foi feita distinção para efeitos tributários entre a venda do software de prateleira, com incidência de ICMS e aquele baixado na web, com incidência de ISS. Este justificado pelo fato de não possuir "corpus mechanicum"; segundo as palavras do próprio ministro. Em maio passado, após dez anos do início da ação, o Supremo decidiu que o Estado do Mato Grosso pode cobrar ICMS sobre softwares, tanto os de prateleira como aqueles baixados. Mas a decisão não foi fundamentada na questão cobrança pela materialidade, mas sim por outros quesitos.
Desde Carnelutti, com sua clássica definição de documento como: "Uma coisa representativa que seja capaz de representar um fato", até os juristas atuais, sempre se definiu o documento como prova material, obviamente, porque nesses casos eram sempre impressos em papel.
Eis que temos agora os bits e a fantástica revolução causada pelos zeros e uns da linguagem binária. Para descrever essa nova era, o homem a cada dia inventa novas expressões. Ao fim dos anos 80 o cientista norte americano Jaron Lanier, ao desenvolver e desvendar a simulação em ambientes virtuais, fascinado e estupefato declarou: "É a realidade virtual!". Um enorme oximoro, portanto, pois desde quando se tinha notícia, realidade e virtualidade eram absolutamente contrapostos. Mas a força desta expressão pegou, assim como tantas outras que permeiam nossas vidas digitais. Vide "tempo real", que criou mais uma denominação temporal, até então marcada somente pelo passado, presente e futuro.
E assim, ao que parece é que se foi criando a ideia de que o ambiente digital é literalmente virtual em seu sentido clássico, onde está em oposição ao real, portanto, etéreo. Algo suscetível de realizar-se, que existe apenas como potencialidade, sendo uma abstração do que existe fisicamente.
O que ocorreu então é que a expressão virtual passou a ter outro sentido, definida como resultado de software, algo que existe apenas no ambiente computacional, como o Second Life, por exemplo. Apesar de que, seu uso acabou generalizando-se para tudo o que é mediado pela web, como amizade e comércio virtual.
Quando falamos, portanto, em um documento eletrônico como um título de crédito, chamando-o de virtual, estamos afirmando que ele é assim designado porque é produto de software ou porque supostamente não é físico?
Um documento eletrônico é composto por ondas eletromagnéticas. Einstein já havia pontuado que: "... matéria e energia são manifestações diferentes de mesma realidade física fundamental, e que podem converter-se, uma em outra, segundo a famosa equação: E = m.c2". Ainda, de acordo com ele, "energia e massa são basicamente a mesma coisa."
A física quântica comprovou a teoria de Einstein e vem desde então, de surpresa em surpresa, redefinindo os conceitos de matéria e energia. A luz até então considerada onda passou a ser considerada matéria. Atualmente já é pacífico o entendimento de que a informação que transita de forma eletrônica tem existência física real, e por conseguinte, material. A onda é a característica física do elétron, matéria e onda são manifestações de uma única entidade física chamada energia. Assim, podemos deduzir que bits possuem massa e volume, ambas características da matéria.
Indícios mais óbvios e palpáveis deste fato estão nas nossas contas de conexão de internet, cujo critério de cobrança é por volume de dados. Tarifadas por bytes por segundo, indicam o volume que circula por tempo.
O grande salto na invenção dos computadores foi dado quando Claude Shannon concluiu que: "A informação pode seguir todas as leis matemáticas e físicas criadas para descrever a matéria e agir como matéria física". A partir deste momento foi possível mensurar e transmitir informação por cadeias de zeros e uns, e assim impor um fluxo físico de matéria que transmite os dados.
O polêmico projeto de lei nº 89, de 2003, cujo relator é o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), equipara dado eletrônico a "coisa" para que a subtração de arquivos digitais seja enquadrada como furto pelo artigo 155 do Código Penal. Assim sendo, subentendeu-se que há uma lacuna legislativa no país para esse tipo de crime, pois supostamente dados não seriam coisa alheia móvel.

Angelo Volpi Neto é tabelião em Curitiba, professor e escritor
Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico.
O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações

A maior foto do mundo: Paris

A foto foi feita com uma Canon 5D Mark II e uma lente de 400 mm. No total, foram usadas 1665 fotos de 21,4 MP, gravadas com a ajuda de um robô ao longo de 172 minutos. O resultado foram 102 GB de dados que foram, depois, convertidos numa foto panorâmica com a ajuda de um computador com 48 GB de RAM e 16 processadores. 94 horas depois, estava criada a maior foto digital do mundo, com uma resolução de 297.500 x 87.500 pixels (26 gigapixels).

Clique no ícone com as 4 setas para ver com a "tela cheia"!!

http://www.paris-26-gigapixels.com/index-en.html

Dica de Paulo Pires

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Contadores terão exame similar ao da OAB

Valor Econômico
17/06/2010
Da mesma forma que os bacharéis em direito são obrigados a passar pelo exame da OAB para exercer a advocacia, os contadores formados terão que ser aprovados em um Exame de Suficiência para trabalhar na área.

Uma emenda contrabandeada na Medida Provisória 472, que tratava do Refis da Crise, incluiu dois artigos que reforçam o poder do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) para regulamentar a profissão, o que inclui esse novo exame, e também tornam explícito o direito do órgão de emitir as Normas Brasileiras de Contabilidade, o que era contestado por alguns contadores.

Isso engloba todos os pronunciamentos baseados no IFRS emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e ratificados pelo CFC nos últimos dois anos, inclusive a regra simplificada para uso obrigatório pelas pequenas e médias empresas.

Na prática, o órgão já emitia as normas há décadas e a maioria dos contadores seguia as instruções sem contestação. Um grupo de profissionais, no entanto, era contra esse tipo de regulamentação e argumentava que o Decreto-lei 9.295/46, que normatiza a profissão, não dizia explicitamente que o CFC poderia emitir normas de contabilidade e exigir seu cumprimento.

Aprovada pelo Congresso Nacional na semana passada, a MP 472 foi convertida na lei 12.249/10 e publicada no Diário Oficial de segunda-feira.

Em relação ao Exame de Suficiência, ainda não está definido como ele será e nem o seu alcance. O comando do CFC e os representantes dos 27 conselhos regionais da categoria se reunirão entre hoje e amanhã, em Brasília, para definir os detalhes dessa nova certificação.

Não se sabe, por exemplo, se ela valerá para todos os profissionais da área ou se apenas para aqueles se formarem bacharéis em contabilidade a partir de agora. Sobre esse ponto, o texto da lei é claro apenas em relação aos técnicos em contabilidade, dizendo que aqueles que já tiverem seu registro, ou que venham a obtê-lo até 1º de junho de 2015, terão assegurado o direito ao exercício da profissão.

Na visão de Carlos Alberto Marques Lopes, contador que é contrário à essa nova regulamentação e também à edição de normas pelo CFC, a nova legislação só vale para os fatos novos, ou seja, não se aplica aos contadores que já possuem seus registros profissionais. Para ele, o conselho federal age na contramão do mercado, burocratizando procedimentos que sempre se mostraram eficientes e se bastavam e criando custos adicionais que podem inviabilizar as pequenas e medias empresas de auditoria, em detrimento das grifes internacionais.

Em entrevista concedida antes da publicação da nova Lei, o presidente do CFC, Juarez Domingues Carneiro, comentou apenas que os contadores que contestavam o poder do órgão para emitir normas não mostravam o contrário, que ele não podia fazê-lo.

Ao falar sobre a então possível aprovação da Lei, Carneiro disse que não haveria mudanças. Não haverá mais espaço para esse tipo de contestação, mas não vamos mudar o nosso procedimento, afirmou o presidente do CFC, que garantiu que o órgão continuará trabalhando em conjunto com o CPC, que é o órgão responsável pela tradução das normas contábeis internacionais.

A evolução do ensino aprendizagem!

Uma triste realidade em algumas instituições de ensino fundamental
(Clique na imagem para ampliar)

domingo, 27 de junho de 2010

Novo Prazo Prazo de Cancelamento de NF-e

Ato COTEPE/ICMS nº 13, de 17.06.2010 - DOU 1 de 22.06.2010

Altera o Ato COTEPE/ICMS nº 33/2008 que dispõe sobre os prazos de cancelamento de NF-e e de transmissão de NF-e emitida em contingência, conforme disposto no Ajuste SINIEF nº 07/2005.

O Secretário Executivo do Conselho Nacional de Política Fazendária - CONFAZ, no uso de suas atribuições que lhe confere o art. 12, XIII, do Regimento da Comissão Técnica Permanente do ICMS - COTEPE/ICMS, de 12 de dezembro de 1997, por este ato, torna público que a Comissão, na sua 141ª reunião ordinária da COTEPE/ICMS, realizada nos dias 16 a 18 de junho de 2010, em Brasília, DF,

Decidiu:

Art. 1º Passa a vigorar com a seguinte redação o art. 1º do Ato COTEPE/ICMS, nº 33, de 29 de setembro de 2008:
"Art. 1º Poderá o emitente solicitar o cancelamento da NF-e, em prazo não superior a 24 horas, contado do momento em que foi concedida a respectiva Autorização de Uso da NF-e, desde que não tenha ocorrido a circulação da mercadoria ou a prestação de serviço e observadas às demais normas constantes do Ajuste SINIEF nº 07/2005, de 5 de outubro de 2005.".
Art. 2º Este ato entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011.

MANUEL DOS ANJOS MARQUES TEIXEIRA

sábado, 26 de junho de 2010

Educação e Convergência

O mundo financeiro pode ser verdadeiramente globalizado, mas o mesmo não pode ser dito para a contabilidade, as normas variam muito em cada local.

Sim, o setor tem movimentado, embora por vezes a contragosto, para os padrões internacionais. Mas este foi um processo longo e árduo, agravada neste mês por um anúncio do International Accounting Standards Board (IASB) e o Financial Accounting Standards Board (FASB), dos EUA, confirmando que não irão cumprir o prazo de junho de 2011, estabelecido pelo Grupo das 20 nações industrializadas, para a harmonização contábil global.

A notícia foi recebida com consternação por parte da UE, que adotou as normas internacionais de contabilidade financeira (IFRS) em 2005.

A formação do contador também é afetada por esses atrasos, (...) que limitam os estudantes em áreas restritas onde trabalhar, para algo mais padronizado e aceito internacionalmente. (...)

A abordagem virtual de aprendizagem é bastante adequado para a globalização das práticas contábeis e a adoção do IFRS. De fato, os treinadores podem, finalmente, entregar o material que é consistente e aplicável em qualquer lugar - e os alunos podem ter a certeza de habilidades e conhecimentos que irão levar com elas irão atendê-los bem, onde quer que eles acabam trabalhando. (...)


Fonte: Shift to international standards happening, but slowly - Emmanuelle Smith - Financial Times - 20 jun 2010 - via Blog Contabilidade Financeira

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Escrituração fiscal digital exigirá maior qualidade dos dados

Segundo Homero Rutkowski, representante do Conselho Federal de Contabilidade - CFC nos projetos de criação do Sped e XBRL e diretor da Tupi Consultoria, a implantação dos procedimentos fiscais digitalizados promoverá segurança, eliminação de papéis e excelentes ganhos de tempo e de dinheiro.
A partir de janeiro de 2011 todas as empresas que pagam Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços - ICMS e Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI juntos serão obrigadas pelo Fisco a apresentar a Escrituração Fiscal Digital - EFD. Apesar de ser um procedimento simples, as informações que devem conter nesta documentação, muitas vezes, não estão disponíveis nos sistemas de gestão das empresas, que seriam o cadastro de produtos, de clientes, de fornecedores e das operações.
Para Rutkowski um dos problemas é o volume de informações que são geradas em uma mesma operação. "Podemos utilizar como exemplo os dados relativos à compra de produtos. Quando os livros eram em papel informávamos somente o valor total da nota, bases de cálculo e os valores creditados de ICMS e IPI, entretanto, no livro digital além desses dados são informados todos os itens que compõe essa nota fiscal como: descrição do produto, NCM, valor unitário, descontos, os valores relativos às bases de cálculo e contribuição ao Programa de Integração Social - PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. Se mandávamos 100 informações sobre uma operação, hoje mandamos mil", explica.
Para o representante do CFC, o grande 'nó' está nas informações que as empresas não sabem que não tem, ou que não apresentam a qualidade requerida pela fiscalização. Rutkowski sugere ao empresário que avalie se a lista de mercadorias, matéria-prima, por exemplo, contém os códigos de produtos do IPI. "Na grande maioria das empresas não há. E, não existe porque os sistemas de gestão que as empresas utilizam não contemplam estes dados, que são para o Fisco, obrigatórios na EFD", observa. Para o empresário a empresa precisa cadastrar todos os seus produtos em seus sistemas, de forma a evitar multas e penalizações do Fisco.
Com a implantação dos procedimentos fiscais digitalizados há maior segurança, eliminação de papéis e excelentes ganhos de tempo e de dinheiro. "Como a adoção é inevitável, as empresas podem antecipar os estudos sobre a implantação, verificando a qualidade dos dados gerados por seus sistemas informáticos, bem como, regularizar o que for necessário. Acredito que o projeto do Sistema Público de Escrituração Digital - Sped, que também inclui a Nota Fiscal Eletrônica NF-e e a Escrituração Contábil Digital - ECD e a EFD é o mais abrangente e complexo em volume e qualidade de informações. E esse volume tendo a crescer ao longo do tempo", conclui Rutkowski.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fisco lança chip que facilitará fiscalização

Por meio da Identificação por Radiofrequência (RFID), a cadeia logística das empresas será otimizada e o tempo nas alfândegas reduzido

O governo federal está trabalhando em busca de um padrão de implementação para a Identificação por Radiofrequência (RFID) em todo o País. O sistema, batizado de Projeto Brasil - ID, promove o rastreamento e autentificação de mercadorias através de chips, contendo informações relativas aos documentos fiscais do produto em trânsito.

De acordo com o coordenador do Encontro Nacional de Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais (Encat), Euldaldo Almeida de Jesus, o projeto ID facilitará a cadeia logística das mercadorias e reduzirá o tempo de fiscalização. "É um ganha-ganha para a sociedade, entidades fiscalizadoras e também para as companhias", explicou ao programa Em Foco, da FinancialTV. A entrevista foi concedida durante fórum sobre Sped (Sistema Público de Escrituração), organizado pelo Conselho Fiscal Empresarial Brasileiro na terça-feira (22).

Para assistir à entrevista na íntegra, clique aqui.



Fonte: Verena Souza in FinancialWeb

OBNUBILAÇÃO CONTÁBIL

por Marcelo Henrique da Silva
Chega a ser aflitiva a forma como os sábios das normas contábeis se dedicam a encontrar "meios" para impor o padrão contábil internacional a todas as empresas.

Fechados num sistema de crenças, ainda que inverídico em termos jurídicos mais rigorosos, simplesmente seguem em frente, atraídos como mariposa pela luz da lâmpada, crendo voar para a lua, mas não escapando do pequeno circulo vicioso de suas próprias reflexões. Leva tempo até que a própria idéia da prisão possa ocorrer-lhes.

Amarrados ao mastro do pragmatismo de uma contabilidade autêntica querem os sábios, como no canto das sereias aladas, atrair para a morte o livre pensar; o pensamento livre. Só os guardiões – sábios contábeis –, na linguagem de Platão, podem pensar; o resto (Eu, contador) deve obedecer, ou seguir líderes como um rebanho de carneiros.

Por conta de uma uniformidade desejada, porque é conveniente ao poder, a despeito do fato de que ela só pode ser mantida pela atrofia mental, nos é apresentado a "contabilidade transversa"; isso mesmo, a imposição do padrão contábil internacional a todas as empresas decorre agora de uma "obrigação transversa".

Explico!

O art. 177 da Lei 6.404 e o art. 3º da Lei 11.638 são explícitos ao estenderem compulsoriamente o padrão contábil internacional apenas às sociedades anônimas e às recentes denominadas sociedades de grande porte. Desta forma, em decorrência das normas jurídicas (não confundir com leis), as sociedades não enquadradas naquelas naturezas estão fora do campo prescricional, ou seja, não estão obrigadas a adotar o referido padrão contábil.

Diante disso, da liberdade, há um esforço dos sábios das normas contábeis – apoiados pelo autoritarismo classista, que rejeita toda e qualquer possibilidade de crítica ao seu modo de pensar – em criar a compulsoriedade ao padrão contábil internacional para todas as sociedades brasileiras, inclusive, se for necessário, com a pressão da Teoria do Medo.

Nasce então a "contabilidade transversa", donde, embora inexista norma jurídica impondo a adoção do padrão contábil a todas as sociedades, a edição de resoluções pelo Conselho Contábil pelo seguimento deste padrão estaria por vincular todas as sociedades. Ou seja, não há dispositivo legal que obrigue as sociedades não qualificadas como sociedades anônimas e as sociedades de grande porte a adoção do padrão contábil internacional, entretanto com base nas resoluções do Conselho Contábil os contabilistas estariam profissionalmente vinculados à obediência ao padrão contábil internacional.

Dessa forma, segundo os ditos sábios, por via transversa, as alterações da Lei 6.404 acabariam por afetar a contabilidade de todas as sociedades, ao se obrigar o profissional responsável pela contabilidade a seguir resoluções administrativas do Conselho Contábil. Nasce então a "contabilidade transversa"!

Como bem pontua o mestre Sérgio Alves Gomes, "os que navegam contra a maré do autoritarismo encontrarão sérios obstáculos para seu intento, isto é, o do esclarecimento capaz de despertar a consciência humana para a convivência com autonomia e liberdade responsável. As resistências despóticas a favor da ignorância e do pensamento único não são poucas".

Apesar da propaganda oficial – do pensamento único –, a "contabilidade transversa" se sustenta apenas pela visão unidimensional do direito, nada mais.

A questão que se propõe para análise da "contabilidade transversa" é: para exercer a fiscalização prevista no Decreto-lei 9.295, o Conselho Contábil está autorizado a examinar a contabilidade das sociedades não sujeitas a sua fiscalização, que se encontram sob responsabilidade técnica de contabilistas? Com a resposta, o Poder Judiciário!

Em decisão do TRF-5ª ficou decretado que "a competência para o exame de livros e documentação comerciais foge ao âmbito dos fiscais do Conselho Regional de Contabilidade".

O STJ, por sua vez, respondeu questão ainda mais complexa, pois além da matéria acima colocada foi apresentado pelo Conselho de Contabilidade que "a fiscalização consiste em verificar se o contabilista [...] observou os princípios fundamentais e as Normas Brasileiras de Contabilidade".

Assim a questão posta ao STJ foi se o Conselho Contábil está autorizado a examinar a contabilidade das sociedades para verificar se se observou os princípios fundamentais e as Normas Brasileiras de Contabilidade?

Com base em "pacífica e remansosa jurisprudência" o STJ decidiu configurar "quebra do sigilo de dados profissionais" o acesso à contabilidade das sociedades por parte do Conselho Contábil.

Vale dizer, o STJ confirmou que o Conselho Contábil não tem competência legal para verificar os livros e documentos contábeis, nem mesmo para analisar se as sociedades observaram ou não os princípios fundamentais e as Normas Brasileiras de Contabilidade!

O STF foi ainda mais longe, ao reconhecer a inviolabilidade dos "escritórios de contabilidade", considerando-o como "casa" para efeitos do art. 5º, XI, da CF/88. Assim, sem que ocorra qualquer das situações excepcionais taxativamente previstas no texto constitucional (art. 5º, XI), nenhum agente público poderá, contra a vontade de quem de direito, ingressar sem mandado judicial em "escritório de contabilidade".

O formalismo contábil dos sábios insiste em amarrar as mãos e as mentes do contador. O Poder Judiciário insiste em libertar o contador, valorizando corretamente o significado de "fusão de horizontes", a partir da lição gadameriana.

Entram em cena, então, o intérprete (Eu, contador), o texto e o contexto. Cabe ao contador (livre?) desenvolver não só a capacidade interpretativa, mas também argumentativa, capaz de ler e compreender, além do explícito, o que há de implícito nos textos normativos.

Ao contador, uma fusão de horizontes... liberdade, livre...


Marcelo Henrique da Silva, é contador em Londrina.

Auditoria em revisão

Apesar das declarações dos sócias das auditorias brasileiras, na Europa ae no Brasil as coisas não são bem assim. Confira:


  • Links: auditorias sob fogo cruzado
  • Auditoria: conversas abertas
  • Auditoria brasileira: falhas vista pelo PCAOB
  • CVM Move Dois Processos Sancionadores Contra KPMG
  • Maus presságios para o IFRS
  • Chamou atenção a proposta de trocar a nomenclatura de "parecer sem (ou com) ressalva" por "opinião sem (ou com) modificação", passa a idéia de não querer " se comprometer", caso tenham emitido um parecer "sem ressalva", pois esta expressão é bem mais forte do que a sugerida.
    (AAS)


    Profissional terá que assumir responsabilidade sobre números de subsidiárias checados por outras firmas. Parecer terá novo modelo e muda de nome.
    Auditoria em revisão
    Por Fernando Torres, de São Paulo
    22/06/2010

    Ao mesmo tempo em que as empresas brasileiras terão que adotar as normas internacionais de contabilidade, os auditores que atuam no Brasil também serão obrigados a seguir as regras globais da profissão, a partir dos balanços referentes ao exercício completo de 2010. Uma das principais mudanças será o fim da divisão de opinião, quando o auditor de uma holding diz que se baseou no parecer de outro auditor para atestar os números das subsidiárias, que às vezes usam outro prestador de serviço.


    Pela norma nova, o auditor da empresa "mãe" será responsável também pelo balanço das controladas, seja fazendo a auditoria diretamente, ou checando o trabalho feito por outra firma.


    Isso pode dificultar uma prática que foi comum quando houve o rodízio de firmas entre as companhias abertas, em que se trocava apenas a auditoria da holding aberta, e se mantinha a prestadora de serviço antiga nas subsidiárias.

    Ao dividir a opinião com outro profissional, o auditor se livrava também da responsabilidade sobre aquelas informações. "Hoje não há mais essa possibilidade. O auditor tem que assumir a responsabilidade para si", afirma Gilberto Munhoz, sócio da área de auditoria da KPMG no Brasil.


    Nesse processo, o auditor da controladora terá que checar os trabalhos feitos pela outra firma, para se certificar de que aqueles números são confiáveis. "O auditor precisa saber o que o outro está fazendo, se há necessidade de extensão dos trabalhos e se os procedimentos usados por ele são os mesmos que ele adotaria", acrescenta o sócio da KPMG.


    Em certa medida isso já era feito, mas quando havia algum tipo de problema ou irregularidade, o auditor podia usar esse argumento em sua defesa, o que não será mais permitido.


    Uma opção para evitar o retrabalho é concentrar a auditoria de todo o grupo em apenas uma empresa, o que alguns acreditam que pode favorecer as maiores do setor. "Existe essa possibilidade, de se concentrar ainda mais o mercado nas quatro grandes, mas ainda é difícil de avaliar o que vai ocorrer", diz Ernesto Gelbcke, sócio da Directa, referindo-se ao grupo formado por PricewaterhouseCoopers, Deloitte, Ernst & Young e KPMG.


    Já para Raul Corrêa da Silva, sócio e presidente da Crowe Horwath RCS, a mudança das normas de auditoria não deve representar perda de serviço para as empresas médias do setor. "Acho que isso não vai representar perdas ou ganhos efetivos", diz ele, que ressalta que já era comum a revisão dos trabalhos de outros auditores.


    Algo que deve facilitar essa supervisão é outra exigência das normas internacionais de auditoria, que pede um nível de documentação maior sobre os trabalhos realizados. "O Brasil está começando a regulamentar mais o trabalho do auditor, pedindo para ele documentar de forma mais organizada", afirma Daniel Maranhão, sócio de auditoria da Terco Grant Thornton, que diz que esse nível de formalização não será uma novidade para sua firma e para as outras de maior porte, por conta de regras internas que já exigiam essa documentação.


    Segundo Gelbcke, as firmas menores costumavam compensar a falta de formalização de todos os processos com um nível maior de supervisão dos trabalhos por auditores mais experientes. "Nós entendemos que é mais relevante ter a participação de sócios e gerentes fazendo o serviço do que um volume maior de trabalho executado por pessoas menos qualificadas", afirma. Mesmo fazendo essa ponderação, o sócio da Directa diz que já preparou sua empresa para as novas normas, até por conta da parceria com a PKF International.


    Em evento recente do setor, Wanderley Olivetti, sócio da Deloitte, comentou que a documentação do trabalho pode ser fundamental em um momento de fiscalização do órgão regulador, para que o auditor justifique por que determinada decisão foi tomada, tendo em conta o cenário e as informações conhecidas naquele momento do passado.

    Para Maranhão, a adoção das novas normas de auditoria não deve representar em si um aumento de horas trabalhadas e consequentemente de custos para os clientes. O que pode resultar em mais horas de serviço, segundo ele, é que essa transição será feita em conjunto com a adoção das normas normas de contabilidade, que seguem o padrão IFRS. "Como será a primeira adoção, teremos mais trabalho de auditoria por conta da mudança de prática contábil", diz.


    Ainda em relação às novas normas de auditoria, a mudança mais visível para os investidores será no parecer do auditor, a começar pela troca do próprio nome, que passará a ser "relatório de auditoria". Na opinião da presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Ana María Elorrieta, um benefício do novo modelo, que será dividido em subtítulos, é que ele deve deixar mais claro qual é a responsabilidade da administração da empresa que elabora o balanço e qual o papel do auditor. "Esse é um passo muito importante", diz ela, que é sócia da PricewaterhouseCoopers.


    A maior preocupação dos auditores é tentar afastar a imagem de que sua assinatura no pé dos balanços é uma garantia de sucesso ou de qualidade da companhia. "A auditoria não é um certificado de seguro", diz Cláudio Longo, sócio aposentado da Ernst & Young, que participa do grupo de trabalho que tratou da implementação das novas normas.


    Ele explica também que o serviço de auditoria das demonstrações financeiras anuais será considerado uma "asseguração razoável" sobre os números do balanço. "O termo razoável pode ter uma conotação pejorativa no Brasil, mas é para ficar claro que não é absoluta", afirma Longo. Já a revisão feita nos balanços trimestrais será chamada de "asseguração limitada", para que fique claro que o alcance do trabalho é menor.

    Outra mudança de nomenclatura é a troca do "parecer sem (ou com) ressalva" por "opinião sem (ou com) modificação".



    Setor precisa expandir o foco, diz sócio da KPMG
    Jennifer Hughes e Rachel Sanderson, Financial Times, de Londres
    22/06/2010

    Os auditores precisam expandir sua função para além do foco limitado sobre demonstrações financeiras, de acordo com o chefe da firma de consultoria e auditoria KPMG. John Griffith-Jones, copresidente da KPMG Europa, disse na semana passada que a atual fixação de "obstáculos defensivos" da "linha de Maginot" regulatória, que falhou durante a crise, ameaça produzir um sistema que não serve para a nova realidade dos mercados.



    A linha de Maginot foi uma complexa série de fortificações construída pela França ao longo de sua fronteira com Alemanha e Itália, após o fim da Primeira Guerra Mundial. Ela levou dez anos para ser construída e já estava ultrapassada quando ficou pronta.


    Ele pediu aos auditores que trabalhem mais próximos das partes relevantes do sistema, o que inclui reguladores de bancos e agências de classificação de risco.

    "A profissão argumentou que não estava no âmago da crise, provavelmente com razão, mas estávamos lá com todos os outros", afirmou. "Eu sinto que estamos, em cada fortificação, tornando mais espessos nossos muros, aumentando nosso poder de fogo e de forma geral acreditando que não foi nossa culpa que as coisas deram errado."

    A conclamação vem em meio ao crescente debate sobre o papel que a profissão desempenhou na crise financeira e se seria necessário expandir as responsabilidades dos auditores, que têm acesso sem igual ao funcionamento interior das empresas, mas ficam de modo geral restritos a um parecer burocrático nos relatórios anuais.


    O Instituto dos Auditores da Inglaterra e País de Gales propôs no início da semana passada um aprofundamento do debate entre os auditores e seus respectivos bancos em mais um esforço para satisfazer as demandas dos investidores por maior transparência. Outras sugestões incluíram levar as conclusões desses profissionais para a frente dos balanços.


    As sugestões do Instituto vieram antes de um relatório conjunto do Financial Services Authority (FSA) e do Financial Reporting Council a ser divulgado nesta semana que vai detalhar falhas durante a crise e oferecer recomendações para mudanças.

    Acredita-se que a FSA exigirá mais dos auditores de bancos na supervisão das instituições financeiras, numa repetição de uma sistema que funcionou sob a liderança do Banco da Inglaterra, mas que foi abandonado depois da criação do órgão regulador do setor.

    NOTA: Vide ainda comentários de César Tibúrcio sobre esta matéria do Valor Econômico


    Fonte: Valor Econômico, via FENACON

    sábado, 19 de junho de 2010

    Manual do Sped Contábil é lançado em São Paulo

    A Junta Comercial do Estado de São Paulo lançou oficialmente, na terça-feira (15/6), seu Manual de Autenticação dos Livros Digitais-Sped Contábil. A íntegra já está disponível para consulta e download gratuitamente no site do órgão. "Nosso desejo e objetivo é que o Manual atenda ao maior número de pessoas, tornando muito mais fácil também a vida dos empresários e contabilistas", disse Valdir Saviolli, presidente do órgão, durante a 44ª Sessão Plenária.

    Segundo ele, a edição do manual vai ajudar empresários e profissionais contábeis a esclarecer as mudanças na metodologia de autenticação dos Livros Diários e Auxiliares da Contabilidade das empresas nas Juntas Comerciais.
    O lançamento do Manual de Autenticação dos Livros Digitais-Sped Contábil, de acordo com Valdir Saviolli, ocorre em momento oportuno, pois no próximo dia 30 de junho termina o prazo para que as empresas tributadas com base no regime de Lucro Real entreguem sua escrituração contábil digital. "Estamos facilitando o cumprimento desta obrigação acessória por parte dos nossos usuários e dos profissionais da contabilidade, uma vez que no Manual podem ser encontradas as respostas para as principais dúvidas das empresas e dos profissionais da contabilidade de todo o país", ressaltou.
    Para facilitar o acesso ao Manual, a Jucesp autorizou a qualquer entidade veiculá-lo nos seus portais. Além disso, com o apoio da Fenacon, do Conselho Federal de Contabilidade e da Fundação Brasileira de Contabilidade, o Manual ganhará versão impressa, outro meio para alcançar um grande número de usuários e atingir o objetivo de ampla divulgação dessas informações.

    A coordenação da edição do Manual foi do contador Nivaldo Cleto, vogal da Jucesp, representante da União e ex-presidente da Junta Comercial do Estado de São Paulo. "Esse livro nós preparamos para difundir a informação e para que seja útil a toda a sociedade brasileira", disse Cleto durante seu discurso de agradecimento. A autoria do trabalho foi dividida com Fabio Rodrigues de Oliveira, advogado e contabilista da FiscoSoft.

    O trabalho também contou com a colaboração da editora FiscoSoft e o apoio da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), do Conselho Federal de Contabilidade e da Fundação Brasileira de Contabilidade. A elaboração do livro também teve o apoio do coordenador nacional do Sped Contábil, Márcio Tonelli, auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil e da equipe técnica da Junta Comercial do Estado de São Paulo. A equipe ainda é composta por Antonio Carlos Pontes, Elza Mendes de Oliveira, Ieda de Freitas, Jorge Ribeiro Cruz, Kátia Regina Bueno de Godoy, Mirtes Yayoi Misu Ribeiro e Yukiji Yagasaki.

    Participaram da cerimônia de lançamento do Manual de Autenticação dos Livros Digitais-Sped Contábil, na sede da Jucesp, Luiz Roselli Neto, vice-presidente e corregedor da Jucesp; Kátia Regina Bueno de Godoy, secretária-geral da Jucesp; Eliana Bertachini, chefe da Procuradoria-Geral da Jucesp, José Maria Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo - Sescon; Ivan Hussni, da Associação Comercial do Estado de São Paulo; Anis Kfouri, diretor da OAB-SP; Paschoal Naddeo, presidente da FiscoSoft, além dos vogais da Jucesp e dos demais representantes de entidades de contabilistas e colaboradores.

    Fonte:Consultor Jurídico - Com informações da Assessoria de Imprensa da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

    sexta-feira, 18 de junho de 2010

    Links: auditorias sob fogo cruzado

    Especial etiqueta online: os dez mandamentos das redes sociais

    As dicas estão baseadas nas melhores práticas da Web 2.0
    1. Não escreva online o que não falaria pessoalmente.
    2. Não faça de seu post uma granada. A vítima pode ser você.
    3. Não cite o nome de ninguém em vão. Calúnia, injúria e difamação são crimes.
    4. Não roube as ideias dos outros. Cite suas fontes. Plagiar é feio.
    5. Não abuse nos palavrões e termos de baixo calão. Eles só têm graça quando
      bem-aplicados.
    6. Não pratique spam (propaganda não-autorizada). Mas enviar uma mensagem
      interessante para sua rede é mais do que saudável.
    7. Não divulgue boatos (hoax) ou mentiras. Informe-se na própria rede. Sempre
      tem alguém que sabe.
    8. Não publique opiniões preconceituosas. A rede é um ambiente democrático, com
      espaço para todos.
    9. Não publique suas informações privadas. Os marginais estão de olho.
    10. Não invada a privacidade de ninguém. Dá processo e muita dor de cabeça.

    Fonte: Tagil Oliveira Ramos especial para IT Web, 14/06/2010 (dica FinancialWeb)

    Auditoria: conversas abertas

    Por Rachel Sanderson, do Financial Times, de Londres
    15/06/2010

    As firmas de auditoria precisarão divulgar parte das discussões privadas que mantêm com clientes do setor de bancos, com base nas propostas que deverão ser publicadas nessa semana, cuja intenção é aprimorar a utilidade dos serviços de auditoria na esteira da crise do setor bancário.

    As propostas apresentadas pelo Instituto de Contadores Certificados da Inglaterra e do País de Gales surgem em resposta a questionamentos por parte do Comitê de Investigação do Tesouro (no parlamento inglês) e na Comissão Europeia sobre o valor das auditorias prestadas, posto que elas fracassaram na missão de alertar para os riscos que levaram à crise bancária.

    Por seu turno, os auditores costumam argumentar que seus pareceres não são uma garantia de que aquela empresa não terá problemas no futuro, mas apenas que os dados do balanço estão apresentados adequadamente e que foram checados.

    O fato é que as sugestões deverão despertar fortes emoções, à medida que auditores graduados nas quatro grandes firmas de auditoria - PricewaterhouseCoopers, Deloitte, Ernst & Young e KPMG - se opuseram a essas propostas, argumentando que fornecer uma análise mais detalhada dos riscos relativos à saúde financeira de um banco poderá elevar seu risco de serem processados.

    As propostas deverão servir de apoio a uma atualização de supervisão conjunta nesse mês realizada pela Financial Services Authority (FSA, órgão regulador do sistema financeiro no Reino Unido) e pelo Financial Reporting Council (órgão regulador independente do Reino Unido incumbido de promover a confiança nos relatórios e governança corporativa), que detalhará falhas de firmas de auditoria durante a crise e que recomendou mudanças na governança.

    O Instituto disse que sua sindicância de seis meses para apurar o valor das auditorias dos bancos revelou que os investidores estavam especialmente insatisfeitos com os pareceres dos auditores. O processo interno envolvido foi percebido como de ajuda para manter os executivos dos bancos sob controle, mas os investidores sentiram que o parecer era apenas um exercício burocrático desprovido de valor.

    Ian Coke, diretor da Faculdade de Serviços Financeiros do Instituto, disse que essas conclusões revelaram que, se havia "uma grande lição [decorrente da crise]" para os auditores aprenderem, era a de que será preciso fazer mais para explicar o valor dos pareceres dos auditores. "[Tornar] mais informação disponível sobre as discussões privadas mantidas entre auditores e bancos poderá elevar o valor atribuído às auditorias e aumentar a confiança do mercado", diz Coke.

    Outras sugestões incluem realizar uma auditoria completa nos balanços do primeiro semestre (e não apenas uma revisão limitada), e uma auditoria dos informes divulgados pelos bancos acerca dos riscos enfrentados pelos seus negócios. Coke disse que está ciente de que isso poderá elevar a carga de trabalho dos auditores.

    O Instituto disse que, de forma geral, as auditorias e os reguladores das firmas de auditoria se sustentaram bem na crise. As reformas efetuadas na profissão após a quebra da Enron suportaram "seu primeiro tese de peso".

    Mesmo assim, ele disse que são necessárias mudanças adicionais nas normas de regulamentação, informes financeiros e de auditoria. O documento diz, por exemplo, que os bancos forneceram informação "fragmentada" sobre riscos. Um relatório resumido sobre os fatores de risco, que fosse auditado, atenderiam melhor os investidores, disse o relatório. O Instituto sugere também que os comitês de auditoria das empresas precisam ter um novo guia de boas práticas.

    O relatório criticou os órgãos reguladores, por estes não atribuírem suficiente valor ao diálogo com os auditores. Ele disse que é preciso tomar providências para transformá-lo num processo de mão dupla.

    Com base na pesquisa feita no Reino Unido, os resultados são acompanhados de perto na Europa e nos EUA, onde as investigações dos órgãos reguladores para apurar as práticas das auditorias vem tomando impulso.

    Fonte: Valor Econômico, FENACON (grifos nossos)

    quinta-feira, 17 de junho de 2010

    Acaba dúvida sobre IFRS de pequenas?

    Se ainda havia alguma dúvida sobre a obrigatoriedade do uso do padrão internacional de contabilidade IFRS por todas as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras a partir do balanço deste ano, agora não existe mais.
    A lei 12.249/10, publicada no Diário Oficial de segunda-feira, deixa claro que o CFC é o órgão responsável pela emissão das Normas Brasileiras de Contabilidade, o que inclui o pronunciamento simplificado destinado às empresas de menor porte.
    Isso coloca o Brasil em uma posição distinta da maioria dos países, onde o uso do IFRS pelas pequenas e médias empresas de capital fechado é no máximo opcional. Um estudo realizado pela Grant Thornton International com 7,4 mil empresas de pequeno e médio em 36 países apontou apoio de 52% dos entrevistados para a adoção do IFRS.
    No Brasil, a Terco Grant Thornton entrevistou 150 clientes em São Paulo, Rio e Bahia e constatou que 35% deles ainda não tinham ouvido falar do novo padrão contábil que terão que usar a partir deste ano.
    Ao serem perguntados sobre os benefícios que veem na adoção do IFRS, o aumento da transparência foi mencionado, em respostas múltiplas, por 31% das pequenas e médias brasileiras, mesmo índice das que apostam na redução de custos.
    Em relação ao processo de adaptação ao IFRS, Daniel Maranhão, sócio da Terco Grant Thornton, acredita os desafios serão diferentes dependendo do perfil da companhia. "As empresas de pequeno porte que, apesar de não serem obrigadas por lei, são auditadas, devem sofrer menor porque terão o suporte do auditor", afirma o especialista.
    Já em relação às demais, ele não descarta que os balanços sejam feitos em desacordo com a nova norma, uma vez que nem todos os contadores estão procurando treinamento sobre o tema. (FT)

    Fonte: Valor Econômico , via FENACON (grifos nossos)

    Comentários
    O que antes vínhamos afirmando ganhou validação com a edição da Lei nº 12.249/2010. Ou seja, até a edição desta Lei nenhuma empresa brasileira, à exceção das sociedades anônimas e empresas de grande porte, estavam obrigadas a seguir normas internacionais de contabilidade.
    O motivo era bem simples. O código Civil determinava expressamente no capítulo destinado a contabilidade que na elaboração do Balanço e DRE devem ser observadas disposições em leis especiais, que por enquanto não haviam (vide art. 1,188 e 1.189 do Código Civil).

    Com a alteração do Decreto-Lei no 9.295/45 (em seu artigo 6], incluindo nova redação da alínea "f") o Conselho Federal de Contabilidade AGORA tem competência LEGAL para baixar normas contábeis:
    f) regular acerca dos princípios contábeis, do Exame de Suficiência, do cadastro de qualificação técnica e dos programas de educação continuada; e editar Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica e profissional." (NR)
    Até antes destas alterações as empresas e contadores seguiam as normas do CFC por conveniência, e não por obrigação.
    Só para lembrar, nos EUA questiona-se a aplicação das normas do IASB para PME: Os EUA irão adotar a IFRS? .
    Enquanto nos outros países, segundo pesquisa da Grant Thornton (vide acima), a adoção de IPFRS para PME é opcional, no Brasil é obrigatória, onde a convergência virou conversão dogmática, típica de religiões fundamentalistas, sem espaço para discussões e debates.

    Postaremos em breve artigo mais longo sobre o assunto, inclusive sobre as recentes alterações na Resolução 750/93 do CFC.
    (AAS)

    Não ao valor justo

    Os investidores preferem não utilizar o justo valor, ou mark-to-market, na contabilização de ativos financeiros de longo prazo, de acordo com uma pesquisa com os profissionais da indústria. (...) Os resultados da PwC, a maior das quatro grandes empresas de contabilidade, foi logo após a publicação, no mês passado, pelo o Financial Accounting Standards Board, de uma proposta para usar o valor justo para mensurar mais tipos de instrumentos financeiros.

    Numa mudança radical, os bancos dos EUA teriam que avaliar não só os ativos financeiros, como derivativos, a preços de mercado a cada trimestre, mas também uma parcela maior dos seus empréstimos.

    O FASB defendeu sua proposta (...) dizendo que os investidores dos EUA são favoráveis a uma maior utilização do justo valor porque fornece mais transparência sobre a saúde financeira de um banco.

    No entanto, os resultados da PwC, (...) apresentam uma visão diferente.


    Fonte: Investors reject US move to mark-to-market valuations - Rachel Sanderson - Financial Times - 14 de junho de 2010, via Blog Contabilidade Financeira

    Por que a contabilidade é obrigatória nas empresas?

    por Ângelo Mori Machado
    FinacialWeb - 14/06/2010


    Especialista explica a importância que a área exerce em qualquer companhia

    Desde que entrou em vigor o novo Código Civil brasileiro, em 2003, todos os empresários independente do porte de suas organizações são obrigados a seguir um sistema de contábil atendendo às Normas Brasileiras de Contabilidade. Isso, além das demais resoluções voltadas para a apresentação anual do seu Balanço Patrimonial, conforme prevê o artigo 1.179. O que chama a atenção dos profissionais das áreas de economia e contábeis, que auxiliam as organizações nessa tarefa, é a falta de atenção com as obrigações.

    Ainda, os artigos 1.180 e 1.181 determinam a obrigatoriedade da autenticação do Livro Diário no órgão de registro competente. Neste documento são lançadas uma a uma e com clareza e dentro das normas técnicas exigidas todas as operações relativas ao exercício anual da empresa. É neste chamado Livro Diário que o Balanço Patrimonial em conjunto com as demais demonstrações contábeis são devidamente apresentados e firmado pelo empresário e pelo responsável pela Contabilidade.

    O novo Código Civil é claro. Não deixa dúvidas sobre a obrigatoriedade das sociedades empresárias em manterem uma escrituração contábil regular, especialmente quanto à prestação de contas, resultados e balanço patrimonial, cuja ata deve atender o artigo 1.075 para depois ser arquivada e averbada na Junta Comercial.

    A escrituração contábil é necessária à empresa de qualquer porte como principal instrumento de defesa, controle e preservação do patrimônio. Bem elaborada, oferece informações ao empresário para a tomada de decisões. Somente ela oferece os dados formais e científicos que permitem projetar investimentos, reduzir custos e outros atos gerenciais, sob pena de se pôr em risco o patrimônio da empresa.

    Uma empresa sem Contabilidade é uma entidade sem memória, sem identidade e sem as mínimas condições de planejamento de seu crescimento. Está em risco, favorecendo complicações futuras em casos de falência, demandas trabalhistas e separação de sociedade.

    Embora o profissional responsável pelo da Contabilidade da empresa não seja tire as obrigações legais do empresário, ele não pode ser conivente com o cliente ou induzi-lo à dispensa da escrituração contábil. Essa indução poderá ocasionar prejuízos ao cliente que ultrapassam as multas. Da mesma forma, a Demonstração Contábil organizada sem o suporte de um especialista com registro profissional é demonstração falsa e criminosa, passível de punição pelo Conselho Regional de Contabilidade e pela Justiça.

    Ângelo Mori Machado é contador e diretor da Gerencial Auditoria e Consultoria

    quarta-feira, 16 de junho de 2010

    Auditoria brasileira: falhas vista pelo PCAOB

    Inspetores americanos encontram "falhas" em auditoria feita no Brasil
    Por Nelson Niero, de São Paulo
    10/06/2010

    Contabilidade: Deloitte, uma das quatro maiores firmas do setor no mundo, contesta as conclusões.

    Especialistas americanos identificaram "falhas" em trabalhos de auditoria feitos pela Deloitte no Brasil. A firma, uma das chamadas "quatro grandes" do setor de contabilidade no mundo, contestou as observações.

    O Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias Abertas (PCAOB, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, divulgou na semana passado o relatório sobre a inspeção que fez, entre maio e junho de 2007, na operação brasileira da Deloitte, a segunda maior firma global de auditoria e consultoria por faturamento.

    É a primeira inspeção feita no Brasil divulgada pelo órgão, que foi criado pela Lei Sarbanes-Oxley, de 2002, depois dos escândalos empresariais do início da década. As outras grandes - PwC, KPMG e Ernst & Young - também foram avaliadas, mas os resultados ainda não foram divulgados.

    O relatório sobre a Deloitte diz que foram encontradas "deficiências" nos dois trabalhos de auditoria que foram avaliados. O nome das empresas não é revelado.

    As falhas, segundo o documento, foram significativas a ponto de a equipe do PCAOB concluir que "a firma não obteve evidências suficientes para dar base à sua opinião sobre as demonstrações financeiras [das empresas auditadas]".

    A resposta da Deloitte, em carta do então sócio Francisco Papellás Filho, diz que o parecer é dado para as demonstrações financeiras "como um todo", o que não teria sido levando em consideração.

    Uma das falhas apontadas refere-se à classificação, na demonstração de resultados, de um desconto dado pela companhia auditada a um fornecedor. O débito estava na rubrica "despesas operacionais", mas a equipe do PCAOB considerou que o valor deveria ter constado como uma dedução da receita de vendas.

    A mudança, que não alterou o resultado, "não foi relevante, apenas uma questão de apresentação", disse Maurício Pires Resende, sócio da Deloitte responsável por questões regulatórias. Ainda assim, a empresa decidiu republicar o balanço daquele ano.

    Outra questão levantada pelo PCAOB diz respeito à "incapacidade de executar procedimentos de auditoria suficientes para examinar a adequação de um passivo contingente". Segundo a Deloitte o assunto está relacionados a passivos trabalhistas de uma empresa que passava por uma reestruturação depois de uma fusão. "Naquela situação, a provisão feita era suficiente", afirmou Resende. O entendimento do órgão americano era de que deveria ter sido feita uma análise mais extensa e detalhada.

    "É um caso julgamento profissional", disse José Roberto Carneiro, sócio da Deloitte responsável pela área de auditoria. "O julgamento foi muito severo."

    Carneiro ressalva, no entanto, que esse é o trabalho dos reguladores e que sempre haverá discordâncias. "A Deloitte apoia o trabalho do PCAOB."

    O órgão privado americano examina todas as firmas de auditoria cujos clientes tenham papéis negociados no mercado americano. De 2005 a 2008, o PCAOB fez 128 inspeções fora dos Estados Unidos, num total de 26 países.

    Apenas partes dos relatórios são abertas ao público. Uma parcela "substancial" do documento, especialmente a que se refere às críticas ao sistema de controle de qualidade, é mantida em sigilo, a não ser que a firma não consiga reparar os erros encontrados.

    CVM move dois processos sancionadores contra KPMG

    Fernando Torres, de São Paulo
    10/06/2010

    Dois processos administrativos sancionadores contra a KPMG Auditores Independentes estão em fase final de tramitação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As investigações decorrem da discordância do órgão regulador em relação a pareceres apresentados pela empresa, um envolvendo a Perdigão e outro relativo a dois fundos de recebíveis do Cruzeiro do Sul.

    A auditoria foi procurada para comentar as acusações e divulgou a seguinte nota: "A KPMG no Brasil reafirma o respeito ao posicionamento da CVM e também sua convicção sobre a correção técnica dos trabalhos realizados." A empresa disse ainda que não poderia comentar os detalhes dos casos, porque as regras da profissão impedem que a firma se manifeste sobre processos em andamento.

    No caso da Perdigão, que se tornou BRF Brasil Foods após fusão com a Sadia, o processo foi aberto após a publicação do balanço do segundo trimestre de 2008 pela companhia.

    Na ocasião, a empresa de alimentos decidiu amortizar integralmente o ágio referente à aquisição da Eleva e da Batávia, no valor de R$ 1,5 bilhões, todo de uma vez, e não ao longo de alguns anos, conforme a proporção dos resultados esperados. O efeito líquido no resultado do trimestre foi negativo em R$ 984 milhões.

    Depois de manifestação da CVM contra essa amortização antecipada, em março de 2009 a Perdigão republicou o balanço, estornando o valor amortizado.

    A CVM acusa a KPMG e os auditores responsáveis de não terem feito uma ressalva no seu parecer por conta disso. O Valor não conseguiu ter acesso ao primeiro parecer publicado, mas com base no conteúdo do segundo é possível concluir que a auditoria teria incluído apenas uma parágrafo de ênfase, o que é menos problemático na "escala gravidade" dos auditores.

    Em relação ao outro processo, sobre dois fundos de recebíveis ligados ao banco Cruzeiro do Sul, não é possível saber o motivo da acusação, apenas que ela também tem a ver com uma suposta irregularidade nos pareceres.

    A venda de uma carteira de recebíveis para um desses fundos, o FIDC BCSul Verax Multicred Financeiro, levou o Cruzeiro do Sul a republicar, no início deste ano, os balanços consolidados referentes a 2008 e 2009.

    Tendo em conta que o banco tinha quase 100% das cotas do fundo, a CVM obrigou o Cruzeiro do Sul a consolidar o FIDC dentro do seu balanço, o que eliminou o ganho que havia sido registrado com a venda de recebíveis para ele. A KPMG fez tanto a auditoria do fundo como a do banco. Nada mudou no balanço enviado pelo Cruzeiro do Sul ao Banco Central.


    Avança projeto de órgão de supervisão brasileiro
    Até o fim deste ano deve haver um desenho inicial de uma proposta para a criação de um órgão brasileiro de supervisão do trabalho dos auditores, que funcionaria de forma semelhante ao americano PCAOB.

    Os estudos iniciais sobre um órgão desse tipo, que estaria focado no controle de qualidade do trabalho dos auditores, estão sendo conduzidos em conjunto pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    "Estamos neste momento na fase de começar a botar as nossas ideias no papel. Até o fim do ano devemos ter algo mais concreto", disse Ana María Elorrieta, presidente Ibracon, que esteve ontem no 2º Seminário Brasileiro de Auditoria Independente, organizado pelo próprio Ibracon e pelo CFC.

    Um órgão de supervisão como o PCAOB tem em seu quadro não apenas auditores, como também pessoas com experiência em órgãos reguladores, advogados e membros de comitês de auditorias de companhias abertas.

    Na época da primeira rodada de fiscalização no Brasil, por exemplo, o presidente do PCAOB era Mark Olson, que deixou o cargo no ano passado. Antes de assumir o comando do órgão de supervisão, Olson havia trabalhado por cerca de cinco anos no Federal Reserve, banco central americano, e feito carreira na firma de auditoria Ernst & Young.

    O atual presidente do PCAOB, Daniel Goelzer, trabalhou por quase de 30 anos na Securities and Exchange Commission (SEC) e seus três companheiros de conselho têm experiência em advocacia e assessoria parlamentar.

    O PCAOB foi criado nos Estados Unidos em 2002, após a edição da lei Sarbanes-Oxley, que foi uma consequência dos escândalos contábeis envolvendo as então gigantes Enron e WorldCom.

    O órgão é uma entidade privada, sem fins lucrativos, e que tem como objetivo fiscalizar o trabalho de auditores de companhias abertas, com o intuito de melhorar a qualidade e proteger os investidores e a sociedade.

    Uma das medidas que passa a valer a partir de 2011, por exemplo, é que as firmas de auditoria americanas terão que apresentar o balanço delas próprias em caráter confidencial ao PCAOB.

    Recentemente, a Iosco, entidade que reúne as comissões de valores mobiliários de todo o mundo, colocou em consulta pública uma proposta com ideias para melhorar a qualidade do trabalho de auditoria. A assembleia anual do órgão está ocorrendo nesta semana no Canadá, mas nenhuma decisão foi divulgada. (FT)

    Fonte: Valor Econômico, via FENACON

    Disclosure


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